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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Volto à carga...

 

Desde 1982 que dou aulas, que lecciono em estabelecimentos de ensino superior; antes, já tinha experiência lectiva no, então chamado, ensino liceal - acho que a primeira vez que enfrentei alunos numa de aula foi por volta de 1963/64, numa "sala de estudo", recebendo à hora a "gloriosa" quantia de vinte e cinco escudos! Por conseguinte, admito que ninguém tem dúvidas que eu sei do que falo, quando falo de dar aulas.

 

Se era de pequena responsabilidade a minha actividade docente quando leccionava na área liceal, a coisa mudou de figura quando passei a dar aulas no ensino superior. Sentia que a minha preparação tinha de ser cuidada e responsável. Mesmo com experiência anterior, por volta de 1982 e nos seis ou sete anos seguintes, o começo do ano era sempre algo que me atormentava, pois tinha a sensação de não estar preparado para o desafio que se iniciava.

 

Ora, vem tudo isto à colação por causa do Passos Coelho. Não tanto por causa dele, entenda-se, pois quanto ao que ele é capaz de fazer nada me espanta, tratando-se de um mentiroso político! Que ele é capaz de aldrabar um punhado de alunos numa sala de aula, não tenho a menor dúvida. Porque é isso que ele vai fazer: ALDRABAR! Todavia, espanta-me a irresponsabilidade das autoridades académicas que o catapultam para a cadeira da docência, destinando-o a "ensinar" futuros mestres e futuros doutores, com a categoria de professor catedrático convidado. Ainda se fosse professor auxiliar convidado e se se limitasse a ensinar futuros licenciados, embora com todos os riscos inerentes à leccionação, EU poderia aceitar!

 

Depois, coloca-se a questão do que ele vai ensinar.

Segundo os jornais, ser-lhe-á reconhecida competência académica para ensinar Economia e Administração Pública!

Vamos desmontar o que é ensinar.

 

Ensinar não é contar a experiência pessoal. Ensinar é abrir horizontes sobre uma determinada matéria... aquela que se ensina. É obrigar a "pensar assim" e o "contrário de assim". É estabelecer dúvidas e não impor dogmas. Dogmas impõem-se, no âmbito académico, com conferências, quando o conferencista expõe as suas conclusões... que até podem não ser dogmáticas; nunca numa sala de aula, porque se corre o risco de estar a fazer propaganda política.

 

O ISCSP teve bons professores - ainda por lá andam alguns com gabarito significativo - e, de entre todos, ressalta o Doutor Adriano Moreira.

Vejamos o que acontecia quando ele ensinava.

 

Lição dada por esse grande Mestre de Ciência Política correspondia a sala cheia de alunos para o ouvir. Porquê? Porque ele não "vendia banha da cobra"! Ele ensinava a pensar de forma que todos nós construíssemos o nosso próprio modelo de observação a partir dos diferentes paradigmas políticos por ele expostos sem subtilezas nem armadilhas. Adriano Moreira adoptava uma posição "quase" neutra - a neutralidade é impossível, contudo pode e deve tentar-se quando se ensina - e nós, os alunos tirávamos conclusões, pensávamos e discutíamos a partir dos seus ensinamentos.

 

Não vejo - nem eu, nem ninguém vê - Pedro Passos Coelho a ser capaz deste ensaio de "neutralidade" em Economia e em Administração Pública. Por isso, quem eu condeno, mais do que o antigo governante, são as autoridades académicas, para já, do ISCSP. Esperava mais delas!

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