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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

27.02.18

Vamos lá a ver...


Luís Alves de Fraga

 

Morreu o coronel Varela Gomes. Conheci-o pessoalmente, mas nunca trabalhei com ele nem tivemos relações de proximidade. Todavia, do que me foi possível observar, tirei algumas conclusões sobre o Homem.

 

O capitão Varela Gomes do assalto ao quartel de Beja, em 1961, não era, ideologicamente, o mesmo que o coronel reformado Varela Gomes, depois do 25 de Novembro de 1975.

 

Na primeira data ele era, como tantos outros militares e civis, um declarado opositor ao regime fascista de Oliveira Salazar e de todo o aparelho repressivo por ele mandado ou deixado montar para silenciar os Portugueses, mantendo-os na mais obscura ignorância política que se possa imaginar. Ousou juntar-se ao grupo que conspirava contra a situação e chefiar a parte operacional do assalto ao quartel de infantaria de Beja. Mas, é preciso dizer, o golpe projectado ia muito mais longe do que o mero assalto a Beja. Nele se incluía a acção dinamizadora do general Humberto Delgado, que, na altura e sempre, foi contrário a entendimentos com o Partido Comunista.

 

O coronel Varela Gomes depois do 25 de Abril de 1974 era um homem angustiado pela prisão e perseguição constante da polícia política. Era já, então, um militar politizado e consciente do que seria mais conveniente para a evolução política dos Portugueses. Era um militar que percebia que a Democracia não cai dos céus aos trambolhões, nem se aprende com uma prática anárquica. Era um militar que conhecia o estado de ignorância dos Portugueses em geral e de como podiam ser manipulados. Era um democrata com posições de esquerda, mas ciente da necessidade da pluralidade democrática e partidária.

 

O coronel reformado Varela Gomes, depois do 25 de Novembro de 1975 era um homem desiludido pelo rumo que o golpe militar daquela data havia tomado, travando a possibilidade de se democratizar os sectores mais ignorantes da população, os quais se haviam iludido com as ideias bonitas do esquerdismo extremista, que, diga-se em abono da verdade, estragou a evolução natural para a implantação de uma democracia plural, mas justa e equilibrada. E nessa travagem o Partido Socialista tem uma grande responsabilidade, pois nele estavam os mais conscientes e esclarecidos oposicionistas do fascismo. O Partido Socialista aproveitou-se eleitoralmente do medo que o regime totalitário de Salazar havia criado nos Portugueses em relação aos comunistas. Pessoalmente, sempre defendi e agora com garantias seguras, que os comunistas não tinham "autorização" de Moscovo para aqui tentarem a implantação de uma regime socialista-comunista. Moscovo sabia o que representava, do ponto de vista estratégico global, uma tal viragem e como ela poderia provocar uma mudança na "Guerra Fria" aceite pelas duas super-potências. Se Varela Gomes olhava com simpatia para o Partido Comunista, nessa época, isso é uma outra coisa! Mas foi a "viragem" feita no 25 de Novembro de 1975 quem o virou, claramente, para a aceitação de uma identificação com o Partido Comunista, mas com a postura de um homem livre e livre de pensar pela sua cabeça.

 

Morreu um Militar e um Homem que nos merece todo o respeito e consideração. Um Homem que amava Portugal.

Inclino-me respeitosamente perante a sua memória.