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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.03.19

Vagueando…


Luís Alves de Fraga

 

Ontem voltei, mais uma vez – e é sempre bom voltar – ao Instituto dos Pupilos do Exército, para apresentar um livro do meu Companheiro e Amigo de há muitos anos (quando o tempo é muito, mesmo muito, não vale a pena dizer quanto é!) Jerónimo Pamplona, também ele antigo aluno.

 

Escreveu um livro interessante sobre o que foi, desde o início, o nosso Instituto: uma Escola para preparar homens úteis ao país, à sociedade, mas apoiando essa utilidade numa gama de valores que se não adquirem, comummente, em outros estabelecimentos de ensino.

Os Pupilos tiveram (têm) uma matriz muito bem definida: foram (são) obra da República – da 1.ª República – e foram (são) tutelados pelo Exército. Assim, por mais que se queiram arranjar explicações diferentes, os valores transmitidos aos alunos são os mais puros da vivência castrense: a camaradagem, a solidariedade, a disciplina, o espírito de emulação, a verdade, a verticalidade, a coragem, a frontalidade e o sentido de serviço social.

Ao fundar o Instituto, o legislador, não quis fazer uma escola igual às que já existiam; procurou que o ensino, não sendo especulativo, fosse prático, mas com conhecimentos científicos suficientes para “fazer bem feito”. Vivia-se o positivismo, que continuou, de uma forma inexplicável, dentro dos muros daquela Casa.

 

O Jerónimo Pamplona escreveu um livro socorrendo-se de depoimentos de alunos de todos os tempos, que deixaram escritas as suas impressões sobre as mais variadas facetas da educação nos Pupilos do Exército.

Vale a pena ler esta obra. Mas não é preciso ter sido aluno para ler o livro com vantagem; é importante que ele chegue a toda a gente para se perceber como uma farda, um hino, um lema e uma tradição moldam caracteres sem distorcer as suas características naturais, mas acrescentando-lhes valores – muito mais importantes do que conhecimentos – que impulsionam para a Vida com um lastro que as “tempestades”, em geral, não levam a “naufrágios”. A “malta” está preparada para enfrentar “mares e ventos”, produzindo sempre algo de útil para a sociedade!

 

Corre nos cinemas um filme português. Tem o nome de uma mulher – Snu – que, antes de se apaixonar pelo político Francisco Sá Carneiro, através da editora Dom Quixote, abanou a ditadura com os livros postos à venda. Muitos desses volumes representaram uma lufada de ar fresco na atmosfera bafienta do final do Estado Novo. Sem esforço de memória, recordo os “Cadernos Dom Quixote” – dos quais fui assinante – e os livros de Roger Garaudy, verdadeiras pedradas no charco da ditadura.

 

O filme “tenta” ser fiel à verdade histórica, mas, sub-repticiamente, passa uma imagem de um Sá-Carneiro “progressista”, um homem da social-democracia, um político a querer mudar Portugal para um socialismo “à moda da Europa do Norte”.

Mas eu vivi esse tempo, tendo idade já adulta e não esqueço. Foi uma altura, esses anos de 1974 a 1980, em que toda a gente falava de socialismo e todos queriam o socialismo. Até Freitas do Amaral, pelo menos uma vez, declarou que também queria o socialismo para o CDS, veja-se bem!

Quando estes embustes não são explicados às novas gerações elas acreditam numa “verdade”, afinal, falsa.

 

Mas, o filme também nos mostra, e de maneira bem real, o como éramos conservadores, o como nos deformou uma ditadura retrógrada, o como a Igreja tinha poder sobre as capacidades de decisão, o como vivíamos cheios de preconceitos e agarrados a tradições.

 

Tecnicamente a fita não fica atrás de qualquer média produção americana, francesa, espanhola ou italiana.

Cuidado, não saiam da sala de espectáculos com a impressão de que Sá Carneiro foi um “vidente político” ou um “salvador da Pátria” morto cedo demais!