06.03.21
Uma questão de justiça
Luís Alves de Fraga
O Partido Comunista Português (PCP) faz cem anos de existência. É da mais elementar justiça saudá-lo por este aniversário.
Todos os portugueses, no passado distante ou no passado mais recente, devem qualquer coisa ao PCP, pois foi a única estrutura partidária que se manteve em funcionamento constante mesmo nos anos mais negros da perseguição fascista entre nós, mesmo no tempo da Guerra Civil de Espanha, mesmo no tempo das prisões e das torturas, mesmo no tempo em que discordar do poder político era um crime, mesmo no tempo em que dar ajuda a um comunista por se tratar de um ser humano levava à prisão, mesmo no tempo da Guerra Colonial. Foram largas centenas de homens e de mulheres perseguidos por se oporem a uma força política que nos calava, que nos metia medo. Eles não tiveram medo ou se o tiveram souberam lutar contra a inacção.
Posso não ter concordado com o que a ideologia comunista fez na URSS e noutros Estados ditos socialistas, posso não concordar com os métodos utilizados por quem, dirigindo Estados, se reivindicou como comunista, mas tenho de ter a coragem de, mesmo discordando, reconhecer que o PCP e os seus militantes foram, em Portugal, a única força política organizada que lutou pela liberdade de expressão, pela justiça social e pelos mais básicos direitos dos Portugueses.
Parabéns ao PCP e aos seus militantes.