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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Uma história de coisas militares

 

Há muitos anos, era eu ainda um garoto, criou-se a chamada Obra Social do Exército, cuja finalidade era, num tempo em que não havia apoios de espécie alguma para os militares, ajudar todos aqueles que serviam naquele ramo das Forças Armadas, quer através de empréstimos financeiros, quer de apoios ou subsídios para os filhos estudantes, quer noutras actividades devidamente justificadas.

 

Creio que, com a criação da Força Aérea, em 1952, a Obra Social do Exército foi transformada em Serviços Sociais das Forças Armadas (SSFA), integrando no seu seio um outro organismo de finalidade sanitária: a Assistência aos Tuberculosos das Forças Armadas. Todos os militares dos quadros permanentes continuaram a descontar para os SSFA, cuja gestão pertencia a oficiais dos três ramos, tendo-se ampliado um pouco mais o seu âmbito de actuação: passou a haver casas para arrendar, mediante concurso e regulamento próprio, aos militares, indiferentemente da graduação, a gerir o antigo asilo militar de Runa, proporcionando razoáveis condições de vida para os velhos militares inválidos ou sem família e a dar mais generosos apoios ao filhos estudantes dos militares, independentemente da graduação do progenitor.

Mas os SSFA viram aumentados os seus rendimentos à custa de uma manobra que saía directamente dos bolsos dos militares dos quadros permanentes. Vamos contá-la.

 

O fornecimento dos diferentes combustíveis para consumo das Forças Armadas fazia-se mediante concurso público, optando-se pela gasolineira que apresentava os preços mais baixos. Estabeleceram, os Ministérios gestores dos três ramos, que se poderia vender aos militares uma certa quantidade de combustível (180 litros mensais) para abastecimento das suas viaturas particulares, acrescendo ao preço de custo uma pequena margem, que constituiria receita de duas entidades, em partes iguais: o ramo respectivo e os SSFA.

A contabilização destes dinheiros estava a cargo dos respectivos serviços financeiros das Forças Armadas e dos SSFA. Na Força Aérea, com esses fundos, no final da década de setenta do século passado, construíram-se os edifícios do Estado-Maior e grande parte da Academia, em Sintra, nos terrenos da Granja do Marquês.

Parte do nosso dinheiro foi aplicado nessas edificações, por isso, elas pertencem-nos! Mas, nos SSFA, a outra parte do dinheiro foi utilizada para construir o complexo designado por CASOeiras, onde existe um excelente centro de acolhimento de militares e familiares doentes ou incapacitados, um magnífico lar para recolhimento daqueles que já não têm condições para viver sozinhos e, ainda, um conjunto de edifícios de apartamentos destinados a arrendar a militares idosos com esposa. Também isso nos pertence!

 

Mas os tempos rodaram e, na década de oitenta do século passado, por força da acção dos meios de comunicação social e da maledicência popular, acabou-se o combustível mais barato para os militares! Era uma regalia que os diferençava de todos os restantes cidadãos, dizia-se.

Que tristeza de país! Tristeza, porque foi comum passarem muitas empresas a fazer pagamentos de parte dos salários em senhas de almoço e senhas de gasolina. Depois, veio, para ficar, a moda dos automóveis de empresa! Para esses, já não é uma regalia! Ora bolas!

Mas o combustível mais barato para venda aos militares era uma benesse imerecida! Ora bolas!

Ora bolas, porque a pagavam e com a diferença de custo possibilitaram investimentos que o Estado não tinha condições de levar a cabo!

 

Em 30 de Outubro de 1995, o Governo Cavaco Silva, transformou os SSFA em Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), e considerou património do Estado o património do CASOeiras. Sucessivas administrações, incluindo civis, levaram à ruína o que antes era rentável. Parece que não se fica pela ruína o destino do IASFA.

 

É conveniente tornar pública esta história, para memória dos militares do presente, constituindo fundamento para melhor poderem reivindicar junto de todas as autoridades que sobre eles exercem tutela, em especial o ministro da Defesa e do Presidente da República.

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