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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Uma explicação política

 

Não tenho a pretensão de ensinar ninguém ou de saber mais do que todos, mas possuo um bem do qual, em regra, nem toda a gente usufrui e que aproveito ao máximo: tempo para pensar. Por isso, hoje vou tentar dar uma (de várias que se podem dar) explicação da actualidade política nacional.

 

Por certo, já repararam que este Governo é o primeiro, desde 25 de Novembro de 1975, que é apoiado no Parlamento pelos partidos de esquerda. Isto não faz dele um Governo de esquerda, mas leva-o a ser o que de melhor é possível fazer com a esquerda, em Portugal.

Ora, esta situação é, do ponto de vista político, um momento de RUPTURA com o passado, pois, se os Portugueses souberem votar nas eleições futuras de modo a manter esta maioria parlamentar de esquerda, tão próximo não teremos desgraças como foram todas aquelas provenientes de Governos de direita, onde tudo se fez para favorecer os interesses financeiros e nada se deu em troca para modificar, um pouco que fosse, a vida dos trabalhadores com pequenos ou médios rendimentos do seu trabalho.

 

Se a maioria se mantiver à esquerda, é sempre possível negociar a três (PS, PCP e BE) para encontrar soluções tendentes a equilibrar um pequeno país, pobre de recursos e com uma economia super frágil.

Uma consequência imediata da actual situação é o esvaziamento ideológico do PSD e o desespero em que vive o CDS/PP. É evidente e salta aos olhos de toda a gente, que não esteja cega pelo facciosismo partidário, que os partidos do centro-direita e direita andam à deriva sem encontrarem um rumo para fazer oposição efectiva e alternativa a este Governo.

Face a tal panorama, qual é a solução que adoptam?

Vejamo-la, porque ela é subtil, insidiosa e capciosa.

 

Com o drama dos incêndios do ano passado desencadeou-se uma tentativa muito evidente de desacreditar o Governo com base em razões emocionais e, depois, com base em toda a casta de irregularidades e pormenores possíveis de imaginar – recordo, por exemplo, a questão da contagem dos mortos – para gerar à volta do Governo uma nuvem de irresponsabilidade e descrédito. Foi de tal ordem que a ministra da Administração Interna se viu obrigada a pedir a demissão. Se recordarmos o período anterior, ganhamos a certeza de uma oposição errática de Passos Coelho completamente à deriva, sem apoios de lado nenhum. Entretanto, na falta de outra forma de desgaste, foi-se envenenando a opinião pública com as fugas de informação sobre o processo “Marquês”.

Estava em rescaldo o assunto fogos e, de repente, sem se perceber exactamente o que havia acontecido, surge na imprensa o caso do roubo de material de guerra em Tancos. Caso que se reacendeu, meses depois, com implicações tais que levaram à demissão do ministro da Defesa e do Chefe do Estado-Maior do Exército.

No entretanto, à beira das férias de Verão e na falta de fogos, há a greve dos professores, assumindo posições irredutíveis. Há greves de enfermeiros no começo do Outono e, de novo, inconformidade dos professores; sucedem-se greves menores até estalar a ameaça da dos juízes e, de volta do orçamento, se tecerem reivindicações de toda a ordem. Mas, de permeio, vem à tona a questão de falta de investimentos em unidades hospitalares e a demissão de médicos por falta de condições de trabalho. Surgiu a situação da CP. Veio a greve dos oficiais de justiça, que paralisou os tribunais, a dos enfermeiros, a dos estivadores de Setúbal. Continuar é acrescentar um rol de factos, alguns de pequena importância ou grande importância (caixa de munições caída de uma camioneta dos fuzileiros, desaparecimento de material de um navio da nossa Armada) como a falência da estrada em Borba.

 

Em todas as situações a opinião pública foi sendo envenenada pelos órgãos de comunicação social de modo a reduzir a credibilidade do Governo, criando artificialmente a sensação de que ele é pior do que o de Passos Coelho, pois a memória colectiva é muito fraca e nela só prevalece o imediato.

 

Quem é que está por trás dos órgãos de comunicação social? Naturalmente, grandes interesses financeiros aos quais não satisfaz uma ruptura nos hábitos governativos, deslocando para a esquerda o que antes estava na direita.

Se tivermos em atenção que, numa perspectiva macro em Portugal, a “Geringonça”, ao contrário do esperado, fez um “milagre” económico e financeiro, esta é a manobra estratégica que a alta finança, se calhar até com a simpatia de vários sectores de Bruxelas, está a desenvolver, para, perante uma solução “ganhadora”, a médio prazo “rebentar” com o Governo e com futuros entendimentos de esquerda.

 

Não consegui ser mais conciso, mas creio ter posto a claro o cenário onde se estão a movimentar as forças da direita mal servidas pelos “seus” partidos políticos.

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