Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Torre e Espada – Milhões e militares

 

Acabei, há poucas horas, de assistir, através da emissão televisiva, ao grandioso desfile “militar” na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Comemorou-se o centenário do Armistício, uma semana antes da data em que aconteceu. Razões imperiosas levaram a que se adiantasse o acontecimento: o nosso Presidente da República vai estar, no dia 11, em Paris para acompanhar a evocação internacional.

 

Muita coisa poderia dizer sobre o que vi, mas vou concentrar-me em dois ou três aspectos, para não ser longo nem incomodar os meus leitores.

 

Antes do mais, no meu entender, há que explicar a inclusão da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia no desfile, que devia ser militar (a Polícia é uma força de segurança civil), já que a primeira teve um papel muito reduzido no conflito e a segunda não teve papel absolutamente nenhum.

Se quem esteve atento à emissão televisiva tomou em devida nota os efectivos mencionados, poderá ter feito as contas e verificado que, AO TODO, a Armada, o Exército e a Força Aérea não têm ao serviço vinte e quatro mil elementos (homens e mulheres), mas a POLÍCIA (força civil e de segurança interna) tem à volta de vinte e um mil efectivos! Falta, ainda a GNR…

Assim, se o desfile se limitasse a ser só feito por militares dos ramos realmente combatentes na Grande Guerra, seria um “desfilinho” ou uma “paradinha”! Para lhe dar a grandeza dos quatro mil que teve, houve que juntar tudo o que usa arma para segurança. A tal situação nos reduziram as “Jotas” com a sua oposição ao serviço militar obrigatório e a tal nos tem reduzido a vontade política dos Governos democráticos, com medo das Forças Armadas.

 

Mas o Presidente quis salvar a face dos Exércitos de Terra, Mar e Ar, numa altura em que tão vilipendiados têm sido e, como bom político que é, “arrefinfou-lhes”, nos estandartes dos respectivos Estados-Maiores, as insígnias da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor Lealdades e Mérito. Ficou-lhe bem e as Forças Armadas agradecem. As forças de segurança ficaram a “chuchar no dedo”, como convém e se justifica, porque, “com papas e bolos se enganam os tolos”!

 

Depois, depois foi a desgraça dos repórteres da televisão, que “não davam uma para a caixa”, visto terem estudado muito mal as informações que poderiam ter colhido sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra. Safou-os, mas nem sempre bem, os oficiais destacados pelos ramos das Forças Armadas, que lá explicaram alguns pormenores do que foi a nossa participação no conflito. E, até notei, o oficial da Força Aérea lembrou-se da esquadrilha mandada para Moçambique. Haja Deus!

 

Na sequência do programa e já no telejornal veio à baila o soldado Milhões.

É sabido, tenho-me dedicado, há mais de duas dezenas de anos, ao estudo e pesquisa da participação na Grande Guerra. Fiz tese de doutoramento em História sobre o tema. Sempre me interroguei quanto ao real papel do soldado Milhais, designado por Milhões.

Não vos quero incomodar com longas leituras, todavia, sendo sintético, não desprezando a coragem do soldado Milhais, tenho para mim que ele foi, acima de tudo, um símbolo escolhido para criar o herói que faltava ao nível dos soldados combatentes, em La Lys, onde, a grande maioria – mais de seis mil –, foi feita prisioneira e uma minoria morreu em combate (quatrocentos e vinte e três).

 

É o Portugal dos mitos e das meias verdades.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D