Tancos: Somos idiotas?
Confesso que a “novela” chamada Tancos me está a dar volta à cabeça! Tenho a sensação de que ou querem fazer de todos nós parvos ou a comunicação social é composta por uma cambada de inaptos intelectualmente ou anda aqui uma “revolução” feita à maneira do que é possível num tempo em que já se não sai para a rua aos tiros.
Vou tentar explicar o meu ponto de vista.
Querem que acreditemos que o director da Polícia Judiciária Militar (PJM) deu por encerrado o caso Tancos após uma encenação de devolução do material roubado?
Bom, ou estão a reduzir o senhor à condição de parvo ou querem fazer de nós parvos!
É evidente que a investigação deve ter continuado. E se continuou deve ter dado frutos. Que frutos? Pois é aqui que se põem duas hipóteses:
- Ou o roubo foi encomendado por alguém da área política para colocar em xeque o actual Governo, dando início à “revolução” que levaria (levará) à queda do mesmo, dando oportunidade de se formar um outro;
- Ou o roubo foi encomendado por alguém da área militar com igual finalidade.
No caso da primeira hipótese, “alguém” comprometido com o ou os mandantes terá tentado “desviar” a atenção do roubo do material para a centrar no “crime” praticado pela PJM de compactuar com um ladrão e encenar uma recepção de material deixado algures para ser recuperado. Deste modo a “revolução” pode continuar através desta nuvem de fumo, que vai colocar, na opinião pública, como “criminosos” tanto a PJM como os membros do Governo sabedores da prática levada a cabo pelos investigadores militares.
No caso da segunda hipótese, a PJM esteve sempre disposta a encobrir os “autores” militares do roubo e “obrigou” a Polícia Judiciária civil (PJ) e o Ministério Público a intervir para desmascarar o “crime” e a “revolução”.
Pois bem, se esta segunda hipótese tivesse pernas para andar nem haveria tantas fugas de informação nem os órgãos de comunicação social “embandeiravam em arco” como têm feito. Logo, parece-me, esta hipótese é completamente absurda, levando-me a aceitar como viável a primeira que enunciei.
Ora, assim começam a encaixar no puzzle determinadas “peças”:
Prisão imediata do director da PJM; declaração do major Brazão de completa admiração pelo seu anterior chefe; possibilidade do mesmo major, porque estava fora do país, ter tempo para, sem quebra do silêncio que lhe ia ser imposto, fazer declarações esclarecedoras e comprometedoras para o ministro – “morro” mas levo mais gente comigo; tentativa pública de descredibilizar o CEME, fazendo crer que havia obstaculizado a acção da PJ, impedindo-a de entrar no Campo Militar de Santa Margarida; orquestração condenatória da acção da PJM.
Alguém, em perfeito juízo, acredita que o director da PJM se contentava em reaver o material de guerra, dando cobertura a um ex-fuzileiro assustado com a dimensão e proporções que o seu acto assumira? Alguém acredita que um coronel do Exército se contentava em deixar impune um “pequeno” ladrão sem procurar deitar a mão ao “peixe graúdo”? Qual a razão de não se falar nas acções de investigação para chegar ao mandante do roubo? E aos auxiliares do roubo? Ou foi um só homem que carregou todo o material de guerra? E, acima de tudo, porque é que o “roubo” aconteceu no momento mais próprio para encontrar o Governo na sua situação mais frágil?
Nunca fui investigador de polícia nenhuma, mas tenho desenvolvido muitas investigações ou pesquisas no domínio da História e, desconfiado, desconfio das excessivas evidências.
