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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

29.12.18

Revoluções


Luís Alves de Fraga

 

Quase sem correr o risco de errar, posso afirmar que houve, na vida da humanidade, somente duas revoluções políticas com consequências decisivas, que ainda se fazem sentir no tempo.

 

Uma, aconteceu no ano de 1789, e passou à História com a designação de “Revolução Francesa”. A característica fundamental residiu no facto de, uma vez por todas, se ter aceite que a soberania residia no Povo e que o governo justo impunha a separação dos poderes.

É verdade que na Grécia Clássica já se praticavam formas de governo democrático com a soberania a residir no voto popular – nem sempre correspondente à totalidade da população – mas essa “democracia” helénica acabou sendo submergida pela queda do Império Romano e pelo surgimento de outras fórmulas governativas só postas em causa durante o século XVIII.

O mais fantástico é que, mais de duzentos anos sobre o grito de revolta francês, ainda são verdadeiros e tidos como únicos e bons os princípios proclamados em Julho de 1789. A “melhor” liberdade é a que defende a propriedade e os direitos individuais; a “melhor” justiça é a que se faz em nome da sociedade em geral; o “melhor” governo é aquele que serve a maioria dos cidadãos.

 

Há cem anos, em 1917, na Rússia, houve uma outra revolução. Tinha como objectivo ser uma alternativa à Revolução Francesa, procurando exaltar valores de maior justiça e maior liberdade. Era, também, democrática só que entendia a democracia de modo diverso daquele que “nasceu” em França. A democracia do século XVIII assentava, em todas as circunstâncias, na liberdade individual e a russa na liberdade individual dentro de cada “área” (soviete) de votação; fora desse “círculo” impunha-se a vontade da maioria votante, silenciando-se as minorias. À propriedade individual dos meios de produção opunha a socialização desses mesmos meios e à liberdade de produção e consumo contrapunha a economia planificada. Os desejos individuais tinham de estar subordinados à conveniência colectiva. Os partidos políticos não tinham razão de existir para além do comunista, que defendia os interesses de todos.

 

Rapidamente uma revolução cheia de ideais nobres capazes de defender os interesses dos elementos mais desprotegidos da sociedade, transformou-se numa feroz ditadura. E ela explica-se simplesmente com base em um só facto: o confronto entre liberdade individual e liberdade colectiva.

 

A Revolução Russa (Soviética) durou até ao final do século XX (1991), ainda que, em 1989 tivesse começado a derrocada com a queda do muro de Berlim. O fim da URSS veio demonstrar o falhanço do ideal revolucionário. Por muitos substitutos que se queiram implantar em vários Estados, jamais haverá a crença na solução soviética. Pode continuar a haver ideologia comunista, partidos comunistas, mas não ultrapassarão a fase da utopia ou, no máximo, a do apoio a soluções socialistas mais radicais que não excluam a liberdade individual. Tudo o que for além disso, entrará no domínio dos fascismos cheios de contradições.

 

Em tempos quis que a solução soviética pudesse ser uma realidade, dada a beleza do ideal socialista soviético, mas, quanto mais aprofundei o estudo da realidade, mais longe me deixei ficar dessa “solução” impossível. Solução impossível, porque o maior desejo de todo o homem é o de liberdade. É uma pena que o sonho não passe desse nível… do nível do sonho.