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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

18.02.20

Racismo ‒ Alguns conceitos


Luís Alves de Fraga

 

Parece-me, do que leio e oiço, anda por aí muita confusão sobre a palavra racismo.

Para que fique, desde já, claro é uma atitude mental ‒ um preconceito (pré-conceito, ou seja, um conceito previamente encaixado na cabeça de cada um) ‒ que é comum a qualquer ser humano independentemente da idade, cor, local de nascimento, morada e nível educacional. Enfim, racista pode ser qualquer pessoa. Dito de outra maneira, o racismo manifesta-se em qualquer direcção sobre qualquer indivíduo.

 

Não ser racista não corresponde a ser tolerante; não ser racista é aceitar plena e completamente, sem qualquer tipo de coacção moral ou cultural, o outro, que é diferente em termos de cor de pele e de cultura.

Não ser racista é um exercício difícil de fazer, porque exige uma total abertura e uma completa aceitação do outro que diverge do padrão ao qual se está habituado tanto na coloração da pele como na cultura. E é aqui que bate o ponto! Na cultura.

 

Torna-se necessário perceber o que aqui chamo cultura.

Cultura não é o que se sabe ou o que se aprende nos livros. Não é nesse sentido que aqui utilizo o termo.

Cultura é aquilo que, ao longo da vida, a sociedade onde se nasce nos vai impondo como sendo os comportamentos e conhecimentos certos (certos para aquela sociedade, para aquele tipo humano). Assim, se se pegasse num bebé japonês com uma ou duas semanas de vida e o entregássemos a uma família alentejana de uma aldeia do Alentejo profundo, ele, aos dez, quinze ou vinte anos seria um alentejano com traços fisionómicos de japonês. Mas era, realmente, um alentejano!

Com isto quero provar que sobre as diferenças de figura o que se impõe e se é não resulta do que se parece, mas do que nos foi colado pela sociedade. Nós, todos nós, somos, por dentro o que socialmente fizeram de nós.

 

Mas quem é que nos faz? O que é isso de sociedade?

Quem nos faz são os nossos familiares, os nossos amigos, a nossa escola, a nossa religião ou a falta dela, o nosso clube de futebol, os nossos livros, a nossa televisão, os nossos jornais, as nossas músicas, a nossa forma de trajar, as críticas que nos fazem, as reprimendas que sofremos, as opiniões que ouvimos, aquilo que nos é imposto como certo e como errado. É a todas estas interacções, que nós chamamos cultura numa perspectiva sociológica ou mesmo antropológica. Nós somos o resultado de tudo isto e de muitas mais coisas que enumerar seria longo e fastidioso. De tudo isto, que nos é transmitido, em cada minuto da nossa vida, pela sociedade, pelos nossos semelhantes.

 

É isto que faz de nós racistas!

Racistas, porque alguém, tendo uma cor diferente da nossa, terá necessariamente, de ser inferior a nós. Inferior, porque não tem a nossa cultura que, porque é nossa, é superior.

Assim, também se podem verificar manifestações de racismo quando, não havendo diferenças de cor de pele ou de figura, existem diferenças de cultura. Esse racismo toma um outro nome quando desenvolvido dentro de um quadro político estatal: xenofobia (recusa ou medo do estrangeiro). E estrangeiros podemos sê-lo dentro do mesmo Estado!

 

Percebem, agora, os meus amigos, porque é que o racismo dispara em todas as direcções e é comum a todas as pessoas comuns, independentemente de serem brancas, negras, amarelas ou às riscas?

Percebem que o que está em causa são diferenças culturais?

Percebem o drama daqueles que, tendo uma cultura diferente da cor da sua epiderme, se debatem entre o serem traidores àquilo que deveria ser a sua cultura de origem ou defendê-la irracionalmente? Seria este o drama do japonês alentejano, do meu exemplo anterior.

 

Percebem, agora, quanto difícil é não ser racista?

Percebem que, para não ser racista não basta dizê-lo, mas senti-lo? Senti-lo, porque se não tem preconceitos culturais, porque o estabelecimento de diferenças é feito só e somente com base na inteligência e na forma de se comportar independentemente de cores?

 

Espero que os meus amigos, agora, compreendam porque é que abomino o racismo, a estupidez e a ignorância.