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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

27.03.20

Quando o mar bate na rocha…


Luís Alves de Fraga

 

Ontem, ainda antes de ouvir António Costa, recebi, via El Pais, a notícia do que se tinha passado, durante as seis horas de reunião, na cimeira de chefes de Estado e primeiros-ministros da União Europeia. Senti-me revoltado com o que li!

 

A Espanha, a Itália e a França, que representam, em termos populacionais, metade de todos os Estados da União, defenderam a emissão dos eurobonds para fazer face à crise e aos desequilíbrios orçamentais, que as despesas extraordinárias estão a, e vão, provocar na Europa. Por outras palavras, o que se propunha era que o peso da crise fosse distribuído por todos, independentemente da sua capacidade de gerar riqueza ou de sair rapidamente da crise agora existente.

Quatro Estados opuseram-se à solidariedade, condenando os restantes a suportarem os resultados desta pandemia à custa do aumento da dívida pública que possam contrair. Quem foram eles? A Alemanha ‒ sempre a eterna Alemanha ‒, a Holanda, a Áustria e a Finlândia. São Estados poderosos e ricos!

 

Tentemos perceber o que representa cada Estado ter de gerir a sua dívida externa em consequência do desequilíbrio provocado pelas despesas extraordinárias resultantes da quase paragem das economias.

Sempre que alguém (seja esse alguém um Estado ou uma empresa ou um particular) pede emprestado aos bancos estes vão averiguar da possibilidade de recuperar o valor do empréstimo; fazem-no através da análise do património do candidato. Ora, o património de um Estado avalia-se em função da sua capacidade produtiva, pois só através desta é que ele pode cobrar os impostos, que vão servir para pagar os juros e a dívida contraída. Um Estado com uma fraca economia consegue empréstimos a juros muito mais altos do que aquele que tem uma economia forte.

Julgo, tudo isto é claro para toda a gente.

 

Quando a Alemanha pede um empréstimo o juro é muito mais baixo do que quando é a Grécia a fazê-lo. Para fugir aos juros muito altos ou, até, à impossibilidade de não ter quem empreste, os Estados de fraca economia têm de se socorrer de empréstimos pedidos a entidades financeiras beneméritas internacionais, que cobram juros baixos, mas obrigam o devedor a seguir as suas orientações macroeconómicas. Foi o que nos aconteceu com a troika.

 

Quando, ontem, os quatro chefes de governo se opuseram à solução de emitir dívida em nome da União e remeteram essa decisão para os Estados mostraram ‒ se dúvidas houvesse ‒ que a União só serve para eles ‒ os grandes ‒ terem mercados assegurados para o consumo dos produtos que fabricam. Ou seja, nós servimos para os enriquecer e ajudar a terem uma boa economia; se para tal temos de nos empenhar até às orelhas isso é-lhes completamente indiferente.

Foi esta a merda de União onde nos meteram! É esta a merda de União onde estão metidos os Italianos, os Espanhóis e, até, os Franceses!

 

Daqui a quinze dias vai haver nova cimeira. Vamos ver o que dela sairá. Coisa boa não vai ser…

Não estaremos ‒ nós, os Estados do sul da Europa ‒ em condições de passar a impor-nos a Berlim, Viena e Haia?

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