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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

31.01.16

Presidenciais – Reflexão III


Luís Alves de Fraga

 

Passou uma semana sobre a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência da República e, na voracidade informativa dos tempos actuais, já quase não é notícia o facto de uma minoria dos eleitores portugueses ter dado ao professor de Direito e comentador de tudo – é conveniente não esquecer que o homem até sobre futebol dava o seu palpite semanalmente e que, sobre livros, passava como gato por brasas! – o lugar de topo na hierarquia representativa do Estado. Como se depreendeu logo, Portugal tem no palácio de Belém, após a tomada de posse, um demagogo, um excelente comunicador, um tipo de inteligência superior, e, por isso, o mais perigoso de todos os Presidentes, depois de Abril de 1974. À mediocridade provinciana de Aníbal Cavaco Silva vai seguir-se o cosmopolitismo armadilhado de Marcelo Rebelo de Sousa.

— E tudo porquê?

 

Porque a abstenção eleitoral ultrapassou, uma vez mais, a metade dos inscritos nos cadernos eleitorais. E, por favor, não me venham contrapor o erro, por super figuração, dos ditos cadernos! Se estão errados é a partir de uma base errada que se fazem as contas, pois essa base é oficial! Reduzi-la a bel-prazer de cada um vale tanto como nada, porque ninguém está de posse dos números reais! O Ministério da Administração Interna (MAI) fornece as listas e o Instituto Nacional de Estatística (INE) pode confirmá-las na sua aproximação à verdade. São esses os organismos que ditam a exactidão, seja ela qual for! E, pela consulta do último Boletim do INE, referente a Dezembro do pretérito ano, os óbitos foram da ordem das noventa mil pessoas. Ora se tomarmos este número como base para um cálculo grosseiro desde o último censo, e partindo do pressuposto de que todos os falecidos eram maiores e inscritos nos caderno eleitorais, temos que, ao total dado pelo MAI, é admissível subtraírem-se, desde 2011 ao presente, cerca de quatrocentos mil portugueses. E, se formos contar a população total portuguesa no terceiro trimestre registada pelo INE, verificamos que é de 10 331 700, dos quais 5 194 100 são cidadãos activos e, à procura de novo emprego, 536 700, valor que compensa o saldo de óbitos por ser aceitável tratarem-se de cidadãos com mais de 18 anos recentemente feitos e inscritos nos cadernos eleitorais. Assim, sem grandes aprofundamentos, conclui-se estarem absolutamente correctas as listas eleitorais, com diferenças insignificantes.

 

Colocado este ponto prévio e levando em conta as reflexões (I e II) anteriores, parece, é possível pôr-se a hipótese de, para salvação do nosso sistema democrático, tornar o voto obrigatório. E é neste aspecto que, usando a expressão popular de quando Portugal era um país agrícola, “a porca torce o rabo”! E torce, porque o voto obrigatório ia aumentar exponencialmente a corrupção política!

Exactamente, a corrupção política, pois não faltaria quem estivesse disposto a vender pelo melhor preço o seu voto e quem lho pagasse pelo valor mais elevado! É que, torna-se conveniente recordar, estamos inseridos num país estruturalmente corrupto, no qual a corrupção é tão natural como matar a sede bebendo um copo de água, vinho, cerveja ou Coca-Cola, conforme o gosto! Quem se dispõe a liquidar serviços sem pagamento de IVA, para poupar uns cobres à sua carteira, mas sobrecarregar a dos que não se podem eximir aos impostos directos e indirectos, também vende o seu voto por um valor significativo!

 

É desta maneira que termino a minha reflexão de hoje, usando a afirmação peremptória:

— O voto obrigatório piora o sistema e não legitima nada mais do que a prática da corrupção nacional!

Assim, estamos num beco sem saída, parece!

À frente veremos…

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