Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Presidenciais – Reflexão III

 

Passou uma semana sobre a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência da República e, na voracidade informativa dos tempos actuais, já quase não é notícia o facto de uma minoria dos eleitores portugueses ter dado ao professor de Direito e comentador de tudo – é conveniente não esquecer que o homem até sobre futebol dava o seu palpite semanalmente e que, sobre livros, passava como gato por brasas! – o lugar de topo na hierarquia representativa do Estado. Como se depreendeu logo, Portugal tem no palácio de Belém, após a tomada de posse, um demagogo, um excelente comunicador, um tipo de inteligência superior, e, por isso, o mais perigoso de todos os Presidentes, depois de Abril de 1974. À mediocridade provinciana de Aníbal Cavaco Silva vai seguir-se o cosmopolitismo armadilhado de Marcelo Rebelo de Sousa.

— E tudo porquê?

 

Porque a abstenção eleitoral ultrapassou, uma vez mais, a metade dos inscritos nos cadernos eleitorais. E, por favor, não me venham contrapor o erro, por super figuração, dos ditos cadernos! Se estão errados é a partir de uma base errada que se fazem as contas, pois essa base é oficial! Reduzi-la a bel-prazer de cada um vale tanto como nada, porque ninguém está de posse dos números reais! O Ministério da Administração Interna (MAI) fornece as listas e o Instituto Nacional de Estatística (INE) pode confirmá-las na sua aproximação à verdade. São esses os organismos que ditam a exactidão, seja ela qual for! E, pela consulta do último Boletim do INE, referente a Dezembro do pretérito ano, os óbitos foram da ordem das noventa mil pessoas. Ora se tomarmos este número como base para um cálculo grosseiro desde o último censo, e partindo do pressuposto de que todos os falecidos eram maiores e inscritos nos caderno eleitorais, temos que, ao total dado pelo MAI, é admissível subtraírem-se, desde 2011 ao presente, cerca de quatrocentos mil portugueses. E, se formos contar a população total portuguesa no terceiro trimestre registada pelo INE, verificamos que é de 10 331 700, dos quais 5 194 100 são cidadãos activos e, à procura de novo emprego, 536 700, valor que compensa o saldo de óbitos por ser aceitável tratarem-se de cidadãos com mais de 18 anos recentemente feitos e inscritos nos cadernos eleitorais. Assim, sem grandes aprofundamentos, conclui-se estarem absolutamente correctas as listas eleitorais, com diferenças insignificantes.

 

Colocado este ponto prévio e levando em conta as reflexões (I e II) anteriores, parece, é possível pôr-se a hipótese de, para salvação do nosso sistema democrático, tornar o voto obrigatório. E é neste aspecto que, usando a expressão popular de quando Portugal era um país agrícola, “a porca torce o rabo”! E torce, porque o voto obrigatório ia aumentar exponencialmente a corrupção política!

Exactamente, a corrupção política, pois não faltaria quem estivesse disposto a vender pelo melhor preço o seu voto e quem lho pagasse pelo valor mais elevado! É que, torna-se conveniente recordar, estamos inseridos num país estruturalmente corrupto, no qual a corrupção é tão natural como matar a sede bebendo um copo de água, vinho, cerveja ou Coca-Cola, conforme o gosto! Quem se dispõe a liquidar serviços sem pagamento de IVA, para poupar uns cobres à sua carteira, mas sobrecarregar a dos que não se podem eximir aos impostos directos e indirectos, também vende o seu voto por um valor significativo!

 

É desta maneira que termino a minha reflexão de hoje, usando a afirmação peremptória:

— O voto obrigatório piora o sistema e não legitima nada mais do que a prática da corrupção nacional!

Assim, estamos num beco sem saída, parece!

À frente veremos…

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D