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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

02.11.19

Prémios


Luís Alves de Fraga

 

Notícia dos jornais: haverá prémios para os funcionários públicos que não faltarem ao serviço.

Não preciso de ler mais para tirar, de imediato, uma conclusão: continua-se, em Portugal, a não perceber nada de organização de trabalho, nem de produtividade, nem de incentivos à laboração. Vai-se premiar a assiduidade, a presença, e não o que se faz!

 

Embora militar, oficial com capacidade de chefia e investido em cargos onde podia exercê-la, pautei a minha conduta ‒ quando possível, por as condições o permitirem ‒ pela importância dada à produtividade e jamais pelo cumprimento rigoroso do horário de saída do serviço.

Antes do mais, eu sabia as tarefas que tinha distribuído aos meus subordinados ‒ e eles também ‒ e quando deviam estar concluídas. A gestão do tempo de execução ficava a cargo deles. Saíam quando as tivessem executadas, dando-me conhecimento. Tinham dispensas quando queriam, desde que o seu serviço estivesse em completa boa ordem. E, se não estava e diziam que estava, sofriam ‒ consoante a gravidade ‒ pesadas punições ou reprimendas para não esquecer. Nunca me dei mal com este sistema, porque é adulto e para gente adulta e responsável.

 

O horário de trabalho e a presença no local onde se desenvolve a acção laboral são balizas que servem para disciplinar a produtividade dentro desses limites. A produtividade não se mede pelo número de horas que se está, mas PELO QUE SE FAZ QUANDO SE ESTÁ.

Um tal procedimento exige duas ou três coisas basilares: ter chefias responsáveis; definir muito bem as tarefas do funcionário, encadeando-as com as dos outros, por forma a estabelecer um contínuo de trabalho; existir, por parte da chefia um verdadeiro controlo para evitar duplicação de acções e, por conseguinte, trabalho inútil ‒ tudo o que se faz tem de servir para alguma coisas diferente de um arquivo morto onde nunca mais ninguém vai consultar seja o que for.

 

Como o trabalho é uma obrigação e um “castigo divino” ‒ ganharás o pão com o suor do teu rosto ‒ há que o tornar menos pesado, de modo a não gerarmos uma sociedade de sádicos em obediência a um sadismo “divino”; sadismo disfarçado de punição por causa de uma falta cometida: a de ter nascido. Assim, os prémios à produtividade devem ser dados em tempo disponível e liberto do “sádico” trabalho.

 

Tal como se faz em Portugal ‒ e noutros países onde a falta de organização laboral é notória ‒ o que se consolida e fomenta é a “lei do chicote”, o autoritarismo do chefe, a sabujice funcional e a possibilidade de práticas corruptas de chefia e trabalho.