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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

13.03.20

Poder político e catástrofes


Luís Alves de Fraga

 

Na noite de 26 para 27 de Novembro de 1967 caiu um dilúvio sobre a região de Lisboa. As linhas de água extravasaram e arrastaram tudo à sua frente. Calcula-se que morreram à volta de setecentas pessoas.

Evidentemente, a chuva não se pôde esconder, nem as cheias que provocou, mas, o governo ditatorial vigente ‒ ainda o de Salazar ‒ evitou, tanto quanto possível, reduzir a catástrofe a poucos mortos e a danos quase inexistentes.

Esta é sempre a forma de actuar das ditaduras! Reduzir ao mínimo o que tem dimensões máximas, não pondo a claro as insuficiências dos governantes, os quais, em geral, na verdade, não querem saber nada sobre o bem-estar das populações.

 

As variantes mais modernas das ditaduras são os regimes democráticos populistas, que, em nome do povo, governam, de facto, em concordância com o pensamento de uma elite. Uma elite que se julga detentora da verdade e daquilo que o povo quer, pensa ou sente. Os exemplos mais evidentes destes populismos são os de Trump, nos EUA, e os de Bolsonaro, no Brasil. Não negam nem recusam a democracia, mas usam-na como entendem para servirem as suas ideias de bem-estar nacional.

 

Nas verdadeiras democracias, naquelas onde os partidos ainda podem pôr, e põem, em causa as acções dos governos, as catástrofes são mostradas nas suas dimensões reais ‒ às vezes, até exageradas ‒ e as críticas, quanto às decisões governamentais, são feitas abertamente e sem qualquer tipo de censura. É assim que se defendem os interesses de todos.

 

O Covid 19 veio, parece, para nos alertar globalmente para muito do que está errado na sociedade mundial.

Por cá, reagimos à nossa maneira: desvalorizando e, depois, exagerando! É a marca do como somos e do como fazemos.

Não acautelamos, não temos planos alternativos, não inventariamos, não agendamos. Parece-me que a crença sebastianista ‒ aquela que nos leva a supor que haverá sempre um salvador para tudo o que não prevenimos ‒ está muito mais viva agora do que alguma vez no passado, pois, com toda a tecnologia actual, com todas as imensas capacidades ao nosso dispor, continuamos a desprezar os factos para nos deixarmos iludir pelas soluções salvíficas de matriz teológicas ou pseudo teológicas.

 

Não era preciso ser vidente ou virologista para perceber que, depois dos primeiros dias da epidemia em Itália, ela ia chegar à Península Ibérica e, por isso mesmo, a Portugal. Não sendo vidente, o Governo, não foi previdente. Nem nós, os cidadãos comuns. Julgo que, no íntimo de cada português, ficou a germinar uma de duas ‒ ou mesmo as duas ‒ ideias: vai-se encontrar a vacina ou o tratamento antes de chegar cá ou isto é uma coisa que só atinge o meu vizinho do lado.

 

Um governo previdente teria tomado medidas imediatas de controlo de fronteiras aéreas e marítimas e criado medidas de precaução. Não tínhamos que esperar pelas decisões e pareceres da OMS ou do CNS ou de a casa do lado estar a arder.

 

Será que, depois de tudo isto se resolver, aprendemos algumas lições? É que as há para tirar no foro cívico, sanitário, económico e político. Mas, hoje, não quero entrar por aí. Quero somente que, aqueles que me lêem, fiquem a pensar nas possíveis lições, que vão ser muitas.

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