Pobreza e Leis
Ouvi, anteontem, o anúncio de uma proposta legislativa a fazer pelo Bloco de Esquerda (BE) ao Parlamento. Talvez a ideia possa parecer demagógica ou populista, mas, não tenho dúvidas, é, por aquilo que se propõe, que se deve começar a luta contra a pobreza.
Disse Catarina Martins que iam recomendar que todas as Leis, antes de serem aprovadas, devam indicar o impacto que terão sobre a pobreza em Portugal.
Esta é uma medida que eu esperaria viesse do lado do PP/CDS, na medida em que se diz identificado com a democracia-cristã! Mas não! Veio, para consolo de uma certa esquerda, do lado do Bloco.
Especular-se-á que, as leis em geral, não têm impacto sobre a pobreza. Nada de mais errado! Todas as leis, ainda as que parecem tratar de assuntos distantes dos económicos, acabam com reflexos na vida financeira de toda a gente. Esta preocupação pode ser até conveniente para perceber outros impactos esquecidos de quem legisla. Passa a ser uma questão de metodologia obrigar a esta análise. Permite uma aproximação à tomada de consciência dos efeitos.
Esta pluralidade de esquerda, que nos governa, apresenta extraordinárias vantagens para o país, com alguns inconvenientes, em especial ao nível das reivindicações salariais e grevistas, porque, por aí, parece haver uma descolagem entre a realidade possível e a realidade desejada, contudo, inviável. É neste campo que começam a esboçar-se as lutas para o posicionamento na “grelha” de partida da campanha eleitoral. Julgo, o maior erro cometido pelo eleitorado será o de dar a maioria ao Partido Socialista (PS); a melhor solução parece ser a de manter a “geringonça” dentro de um equilíbrio semelhante ao presente. Será possível? A abstenção é um dos elemento mais importantes a tomar em consideração.
A próxima legislatura poderá ser determinante para o aparecimento desse fenómeno, que assalta o mundo e está a colocar em causa os valores da democracia, chamado populismo. Valham-nos todos os anjos, santos e arcanjos se entrarmos por esse trilho apertado e perigoso.