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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

09.04.22

Personalidade e carácter


Luís Alves de Fraga

 

Há muitos, muitos anos aprendi uns rudimentos de psicologia numa disciplina que era leccionada no, então, chamado Curso Geral de Comércio e que dava pelo nome de “Técnicas de Venda”.

Para além das, nesses tempos recuados, classificações morfo-psicológicas do ser humano, que tentavam justificar comportamentos através do aspecto físico do indivíduo, aprendi dois conceitos básicos que continuam na actualidade a gerar grandes polémicas: o de personalidade e o de carácter.

Dizia-se, na altura, que a personalidade era inata e o carácter era nato, ou seja, a primeira vem “agarrada” ao ser humano desde a nascença e o segundo resulta do meio ambiente, do que se aprende, de como se aprende e de como se “entranha” o que se aprende. Por conseguinte, o carácter é mutável, mas a personalidade não é.

 

Porque nunca me dediquei ao estudo da psicologia, nem aprofundei muito mais estes conhecimentos básicos, aceito-os sem discussões académicas, embora compreenda quão difícil se torna separar, sem estudo prévio e profundo, da personalidade o carácter ou vice-versa. Do estudo da Antropologia Cultural e do da Sociologia sei que o Homem nasce culturalmente nu, ou seja, aprende tudo com a sociedade, no contacto com o meio social ambiente que o rodeia. Mas, nem toda a gente aprende tudo da mesma maneira, nem age da mesma forma quando sujeito às mesmas regras sociais. Assim se justificam os “rebeldes” ou “inconformistas” e os “conformistas”. É aí que entra a personalidade como “gestora” da “aprendizagem” ou, se se preferir da enculturação ou endoculturação.

E o exemplo que me ocorre, de momento, é o dos colégios internos ‒ tantos na Grã-Bretanha com altos preços e tradições de primeira grandeza ‒, que Portugal não têm em quantidade. Alunos que entram com dez anos ou pouco mais e, depois de sete ou oito ou mais de frequência, saem, uns, perfeitamente bem formados, disciplinados, sapientes e plenos de virtudes sociais, e, outros (não a maioria), saem cobertos de um verniz que estala à primeira dobra do couro… Estala e mostra uma qualidade de cabedal miserável!

Explicação?

Pois, para mim, que sei pouco ‒ como, aliás, já disse ‒ deste assunto, o fracasso depende da personalidade que não soube absorver convenientemente a moldagem do carácter. Aliás, creio, é baseado nesta convicção que os psicólogos e os sociólogos aceitam, sem relutância, a educação de filhos por pares homossexuais, pois não vai ser a homossexualidade dos pais a definir a sexualidade dos filhos; esta estará a cargo da personalidade dos descendentes. É assim, também, que de ambientes de ladrões e malfeitores saem cidadãos exemplares e vice-versa.

 

Está claro que há bons colégios internos nos quais se cultivam valores cívicos e morais de excepção, mas nada garante que, pela simples frequência dessas escolas, os antigos alunos hajam adquirido o que por lá se semeia… É que, por entre as boas searas também nascem as ervas daninhas, retorcidas e só pela aparência verde e fresca, no verniz, nos enganam.

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