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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Para Que Serve a História?

 

Esta foi a pergunta, se a memória não me falha, feita pelo filho de Marc Block ao pai. Afinal, posso continuar a inquirir:

— Para que serve a História?

Pois bem, na síntese das sínteses, eu diria que a História serve para contar e explicar o passado. Mas servindo somente para tal, parece, a História bastaria ser contada uma vez e jamais deveria ou poderia ser contada de novo! Nada mais errado.

A História pode e deve ser contada, não para alterar os factos, mas para os explicar à luz de um novo entendimento, uma nova visão, que os explique melhor, sem, contudo, os deturpar. É neste “sem” que está o busílis da questão!

 — Como é que se explica sem alterar os factos?

Quando se consegue trazer uma nova luz para compreender o passado à luz desse mesmo passado, ou seja, quando se é capaz de, sem cometer anacronismo, se explicar o que nem os intervenientes nos acontecimentos foram capazes de perceber. É que o historiador é um observador privilegiado! Está de fora do contexto e já sabe como tudo vai acabar! Então, ele pode relacionar o que os actores não foram capazes de relacionar e, deste modo, explicar o que nem eles explicavam. E a luz faz-se.

É assim que, ano após ano, podem nascer novos relatos mais explícitos sobre velhos acontecimentos. Todavia, importante é manter a explicação dentro dos limites do tempo dos acontecimentos. Assim, o historiador não pode “pôr a pensar” os actores da História como se eles se deslocassem do “seu tempo” e viessem para a actualidade “fazer” o que nunca fariam lá atrás.

Quantas vezes nós agimos no nosso quotidiano sem sermos capazes de explicar uma acção que está condicionada pelo contexto que nos rodeia? No entanto, optamos por fazer X em vez de Y! Pois caberá ao historiador, passados muitos anos, explicar o que nos moveu na nossa escolha, porque ele “pode ver” aquilo que nós somente intuímos. E esse é o extraordinário ofício de historiador! “Ver”, sem distorcer, aquilo que nós só pressentimos.

 Nesta dimensão, o historiador tem de ser mais do que honesto, se tal é possível! Honesto, porque tem nas suas mãos os instrumentos para poder branquear o passado, quando, por “deslize” põe um actor histórico a “ver” o contrário daquilo que ele “viu”.

Temos, em Portugal, tanta História para explicar! E, infelizmente, os poderes públicos dão tão pouca importância ao estudo e investigação da História! Esquecem que o conhecimento do passado ajuda a compreender os fios condutores do presente que, necessariamente, apontam para o futuro.

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