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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

05.04.24

Para quê?


Luís Alves de Fraga

 

No título está a interrogação que me assalta todos os dias quando me disponho a escrever qualquer coisa sobre a situação política nacional e, até mesmo, mundial.

Do ponto de vista nacional, o que se vê ‒ ou, pelo menos, o que eu vejo ‒ é uma fantochada de garotos a brincarem aos homenzinhos com um velhote que se faz de garoto nas sua traquinices políticas; do ponto de vista internacional chega-me a clara notícia de uma incoerência total de um grande Estado que usa de diferentes pesos e de muitas mais medidas para julgar as políticas nacionais dos outros Estados, tudo isto envolvido em ambições pessoais caracterizadas por tiranias mal disfarçadas, pois falam em nome da democracia ou seja em nome de todos nós.

 

Mas, abro uma excepção, vamos lá falar um pouco sobre a política doméstica.

Depois de umas eleições marcadas pela astúcia e má-educação de André Ventura, que arrebanhou mais de um milhão de votos (ficamos a saber que os ignorantes, os maldispostos, os mal informados e os patetas políticos ultrapassam dez por cento da população nacional!), temos como certo que o PS vale tanto em lugares no parlamento como o PSD, que se apresentou a eleições em coligação com o moribundo CDS/PP e um partido político “bêbado”, que julga possível a Monarquia, formando a chamada AD (parece que estamos num cemitério cheio de jazigos). Das eleições surgem, também, mais visíveis dois novos grupos políticos quase antagónicos que vieram dar vida, um, à esquerda e, outro, à direita. Assim, as eleições não serviram para nada mais do que provar como o país está indecisamente dividido entre um programa que aponta para um Estado-social e um Estado neoliberal. E disto, não são muitos os eleitores que se apercebem. Todos os partidos prometeram o mesmo, mas com finalidades diferentes. De atalaia, está o espertalhão do Chega que sabe muito bem o que quer fazer… Ele, aqui, e outros como ele na Europa.

 

Na campanha eleitoral, todos prometeram o mesmo: soluções para o SNS, para as forças de segurança, para os professores e para a habitação.

Formou-se Governo e a primeira patetice saída foi a alteração do logótipo nacional (que nem estava bem nem mal), repescando ideias e desenhos passados. Isto foi a marca inicial de um Executivo de mudança: vamos andar para trás em muitas coisas, mesmo coisas em demasia. Os impostos para as empresas vão baixar, as desnacionalizações vão surgir do nada, o desemprego vai crescer, os salários vão baixar, as pensões vão manter-se na mesma, mas haverá quem engorde, e bem, com as medidas do novo Governo, pois, tanto quanto lhe for possível, tudo fará para, ideologicamente, se aproximar do modelo liberal onde quem impera é a lei do mercado, a lei da oferta e da procura. Esperemos pelos impostos indirectos!

 

É desta iliteracia política que sofrem os portugueses, pois recuso-me a acreditar que, um trabalhador com um baixo salário, se tivesse consciência do que é o Estado social ou social-democracia, votasse em partidos que defendem a liberalização da vida económica.

 

A minha dúvida e falta de vontade de escrever resulta de já ter dito a mesma coisa e continuar a ver gerações e gerações de eleitores que se encantam pelas loas cantadas por aqueles que, um dia, os vão engolir sem dó nem piedade, reduzindo-os à miséria se tal for necessário. No fim da vida, tenho pena que a minha voz não chegue mais longe do que a quem se digna ler estes meus textos.

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