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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

06.12.18

Para onde vamos?


Luís Alves de Fraga

 

Algo de muito estranho se está a passar em Portugal e não quero acreditar que se trate de um mero contágio. As greves estão a subir de tom sem razão aparente de qualquer espécie. Os motivos de reivindicação são, quase todos “velhos” e poderiam ter sido feitos há seis meses, um ano ou mais lá atrás, mas estão a ser gritados agora.

Agora porquê? Quem é que anda a orquestrar todo este desaforo?

Onde estavam os sindicatos agora reivindicativos e os trabalhadores prejudicados nos anos de Governo de Passos Coelho? Onde estava esta gente toda quando houve eleições que deram a maior quantidade de votos ao PSD?

 

Convido os meus leitores a reflectirem nas questões que deixei atrás, porque não tenho respostas, mas tenho hipóteses que partilho convosco.

A primeira – já aqui deixada há tempos – resulta de admitir que a nossa direita política, na incapacidade de dar uma resposta nos locais certos – autarquias e parlamento – está a usar alguns órgãos da comunicação social e alguns sindicatos de duvidosa vinculação partidária para gerar a instabilidade social e o desagrado da população de modo a criar o clima necessário à queda do Governo.

A segunda hipótese, coloco-a como a eventualidade de haver um elevado espírito de cópia e querer-se gerar por cá situações de contestação semelhantes às que se vivem em França. Contudo, não aposto demasiado nesta presunção.

A terceira conjectura, admito que esteja a haver uma situação de réplica reivindicativa cuja origem esteve na prolongada greve dos professores antes das férias de Verão. E, neste caso, tendo como ponto de partida o não cumprimento de algumas promessas feitas pelo Governo, as quais, também não se viram contempladas no Orçamento do Estado para 2019, agravadas com o facto de se anunciarem melhorias ao nível orçamental, com evidentes sacrifícios individuais.

 

Se for esta última hipótese a causa da instabilidade presente sou obrigado a condená-la, em primeiro lugar, porque, quando o “aperto” foi feito por Passos Coelho, não houve nem um décimo da contestação presente; em segundo lugar, porque reivindicar agora é não compreender a necessidade de sair do “pântano” para recuperar condições de maior e melhor progresso no futuro próximo. É sacrificar o colectivo em nome do individual. É dar razão a todos os que podem, amanhã, pedir uma governação de “mão pesada”.

 

Com a experiência de olhar e estudar a História dos últimos cem anos posso garantir que, embora o contexto seja muito diferente, a acção social, em Portugal e um pouco por toda a Europa e em alguns pontos do mundo, ganha contornos definidores de soluções tendencialmente fascistas ou proto-fascistas, que, a verificarem-se, calarão todas as reivindicações e farão passar os trabalhadores por sacrifícios não imaginados por eles no momento presente.

 

Muitas vezes, gritar por melhores condições de vida produz o efeito contrário. Já vivi em ditadura e sei do que falo.