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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

05.04.19

Palpites de uma “dama bem-comportada”


Luís Alves de Fraga

 

Vi e ouvi grande parte da entrevista de Christine Lagarde à uma nossa estação de televisão.

Esta senhora, que não come carne – é vegetariana – e pratica mergulho, parece estar a candidatar-se para a Comissão Europeia e, com o conhecimento que tem da economia mundial, lançou para o ar uns palpites sobre o “seu programa” de governo da comunidade. Necessariamente, por tabela, as linhas orientadoras aplicam-se, também, a Portugal.

 

Lagarde é uma mulher inteligente, sabedora, cautelosa, calculista, ponderada e ardilosa e, não por acaso, juntou dois temas aparentemente não muito conciliáveis: a taxa de desemprego e a luta pela igualização das trabalhadoras – em especial, as jovens com formação universitária – aos homens. O recado parecia dirigido a Portugal. Tentemos analisá-lo.

 

Não há dúvida, António Costa conseguiu reduzir o número de desempregados no nosso país, mas há ainda – em 2018, entenda-se – uma diferença entre homens e mulheres, sendo que o número destas sem trabalho é mais elevado do que o daqueles. Ora, antes do mais, coloca-se a questão de saber como reduzir o desemprego num país onde o fraco nível de investimento é endémico.

 

Na economia nacional o grande impulsionador do investimento é, e tem sido, o Estado, tanto através da chamada função pública como das empresas onde preponderam dinheiros colectivos. A nossa solução não passa pela desnacionalização, mas, exactamente, pela nacionalização, porque, no primeiro caso, de imediato se verifica um desinvestimento com o desemprego correspondente. Salazar, embora mais preocupado com as finanças do que com a economia, percebeu isso muito bem e nacionalizou tudo o que lhe foi possível. A razão de assim ser, resulta de algo muito simples: são raras as áreas onde se pode investir com garantia de sustentabilidade, continuidade, lucros chorudos e, ao mesmo tempo, bons salários para os trabalhadores. Digamos que a nacionalização, entre nós, corresponde a um processo de intercomunicação de impostos e salários.

 

Este equilíbrio, característico da especificidade económica portuguesa, conduz a uma outra necessidade: a de, no geral, pagar melhor aos trabalhadores do sexo masculino do que aos do feminino. E não se pense que se trata de machismo!

É que, também no geral, é o homem quem, tradicionalmente, sustenta os encargos familiares. Isto resulta da debilidade económica nacional conjugada com um atavismo cultural, que está tendencialmente a alterar-se. As mudanças são lentas, porque decorrem do apego a padrões herdados.

 

A senhora Lagarde desconhece esta idiossincrasia portuguesa, porque a análise económica não pode ser feita, em exclusivo, através de números, mas interligando estes à realidade social, à história, à educação e ao costume.