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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Outra vez a História e a Política

 

O jornal espanhol “El País”, de hoje, traz a curiosa notícia da discórdia entre historiadores sobre os novos manuais de História e a actividade da ETA.

 

Não é descabida a discussão, pois coloca-se o problema de como classificar aquela organização basca. Para muitos ela não foi mais do que um bando de terroristas e, para outros, um grupo de resistentes anti-franquistas. Acusam os primeiros que se pretende branquear a História, pois a maioria dos atentados contra pessoas ocorreu após a morte do generalíssimo Francisco Franco. Logo, a acção não podia ser contra o ditador, porque se tratava de terrorismo puro, gerador de medo.

 

O Governo regional basco está disposto a aceitar todas as sugestões que reponham a “verdade”. E, o problema é esse mesmo: qual verdade?

Há quem sugira que é muito cedo para se fazer a história da ETA e das suas motivações; há quem proponha uma descrição “equitativa” entre depoimentos de antigos etarras e familiares ou associações de vítimas.

 

Claro que, na minha opinião – e não estou suficientemente documentado para me pronunciar sobre os factos –, o que faz falta é a síntese resultante da análise “fria”, “distanciada” e “equidistante” das motivações quer da ETA quer do aparelho político herdado do fascismo espanhol, pois, é conveniente recordar, a problemática ditatorial do Estado vizinho tem sido resolvida na base do silêncio. Um silêncio que vem desde os anos 30 do século passado, um silêncio das vítimas da República e da Guerra Civil, da repressão e de uma democracia que preferiu calar relatos a exorcizá-los na praça pública, identificando o que devia ser identificado.

 

A História não é um tribunal, nem, muito menos, o soalheiro onde gente de má fama lava roupa suja. A História é, tem de ser, o relato límpido dos acontecimentos despejados de raivas e de ódios.

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