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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

16.05.18

Os "espartilhos" do PS


Luís Alves de Fraga

 

Ontem escrevi sobre a social-democracia, hoje é a vez de me debruçar sobre o PS.

 

Os Partidos Comunista e Bloco de Esquerda, em dezenas de anos de democracia, já mostraram que, pela via eleitoral, nunca conseguirão uma maioria parlamentar, que lhes permita formar Governo. Isto, parece-me indiscutível. Todavia, o eleitorado nacional tem-se manifestado hesitante entre o PS e o PSD, facto que leva a uma leitura muito precisa em política: manifestando-se este último Partido como adepto de soluções económicas e sociais de direita, quer dizer que o eleitorado se balança entre um PS de “direita”, um PS de “esquerda” e a direita, teoricamente, moderada. Ou seja, a margem de manobra dos Portugueses está entre soluções pró-liberais e pró-esquerda. Assim, temos visto que sempre que a prática política e económica se inclina para a direita, de imediato o eleitorado, na vez seguinte, corrige a “deriva” e “vira” para a “esquerda”. Foi assim que nasceu a actual “geringonça”. E ela veio mostrar um caminho novo, uma solução nova e um novo destino do PS.

 

Se o PCP e o BE não conseguem eleitoralmente ser Governo, são, de certeza absoluta, o “sal da política” praticável pelo PS. Porquê?

Porque o único PS possível, depois de tantas experiências governativas, é aquele que nunca atinja maiorias absolutas; que, ideologicamente, sem receios, se afirme de esquerda, ou seja, afirme a sua prática política descolada de soluções de direita – e a direita começa, inequivocamente, no PSD; e, sem medos, convirja para políticas defendidas pelo PCP e pelo BE, sem perder a sua “personalidade” de Partido da direita do leque da esquerda.

 

Sei que é difícil esta manobra, mas é já só a única que resta ao PS para não ser engolido ideologicamente pelo PSD e pelo CDS, porque, depois de tudo o que já fez, falta-lhe deixar-se “abraçar” por estes Partidos e perder identidade. Não é por acaso que, dentro do PS, há uma grande resistência à solução encontrada por António Costa para formar Governo. Há medos que se têm de vencer.

 

O receio do entendimento com a esquerda é um papão vindo do tempo de Mário Soares, do tempo do PREC, do tempo do fascismo e não pode ser elemento travão de uma política de um PS de esquerda. Os laços que envolvem Portugal à União Europeia – do meu ponto de vista, infelizmente – são tão fortes que o receio de uma “viragem” para o comunismo não se justifica, mas, contudo, são tão frágeis que admitem uma viragem para soluções liberais de um capitalismo capaz de nos reduzir, socialmente, à condição de párias da Europa. E é aí que está o verdadeiro perigo. Assim, para termos um PS de esquerda temos de ter um PCP e um BE com força eleitoral onde o primeiro se possa escorar para fazer política nacional de esquerda e, no que for possível, independente.