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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

22.08.18

O valor da morte


Luís Alves de Fraga

 

Já aqui defendi que, perante a morte de alguém, me curvo e, respeitando a dor dos seus familiares e amigos, relevo os seus defeitos, sem os esquecer, para enaltecer as suas virtudes. É uma questão de boa educação e de bons princípios. Não se trata de cinismo ou hipocrisia; é tão-só recordar que há pessoas em sofrimento e nada adianta, para a sociedade ou para o leque restrito de amigos e próximos, calcar na imagem negativa do defunto.

 

Mas a minha postura é sempre igual quer se trate do falecimento de um expoente social ou de um Zé Ninguém desconhecido de todos.

 

E se eu tivesse responsabilidades políticas destacadas ou responsabilidades directivas num órgão de comunicação social como reagiria ou mandava reagir face ao falecimento de alguém com significativa notoriedade?

 

No primeiro caso, seria muito cauteloso e discreto na referência à morte desse notável, não esquecendo que, em sentido absoluto, o falecimento dele é tão importante como o falecimento daquele que não deu nas vistas e passou pela vida rodeado de sombras e esquecimentos.

No segundo caso, mandaria que, dando relevo relativo ao acontecimento, especialmente no que toca a dados biográficos e história de vida, se fosse comedido no destaque, ou seja, na colocação da notícia no jornal, revista, rádio ou televisão.

 

Pode inquirir-se sobre o motivo do comportamento que acima tracei. É fácil explicar.

O detentor de cargo político destacado tem de ter presente que ocupa um lugar para servir todos os cidadãos e não só alguns em particular; o responsável por um órgão de comunicação social tem por obrigação informar, dentro dos limites indispensáveis à compreensão da notícia, sem evidenciar simpatia ou antipatia pelo acontecimento.

 

Morreu, há dias, de uma queda no seu iate, em Ibiza, um grande empresário português. Foi noticiado o facto, em minha opinião, excessivamente. O Presidente da República deu destaque ao acontecimento, ainda segundo o que penso, com demasiada ênfase, exactamente por se tratar de um "homem de negócios" com, pela certa, comprometimentos políticos que, ao levarem o Chefe de Estado a referir-se-lhe, o comprometem de forma inconveniente.

Realmente, não é para todos a condição de "homem publico"!