O muro do braço-de-ferro
Não gosto de Donald Trump, pelo que ele representa de aberração política, mas, também, da pessoa que ele é.
Vejo-o na televisão e parece-me um boneco ensinado para fazer “boquinhas” quando fala, ter “ares de rufião”, quando se move e, acima de tudo, comportar-se como “dono de tudo isto”. Não gosto de gente com este tipo de perfil, seja homem ou mulher.
Depois, não gosto de Trump por lhe conhecer – em função do que tenho lido – a ascendência familiar. Poderão querer saber o que é que tem a ver uma coisa com a outra e eu explico.
Tendo sido educado em ambiente militar, desde a juventude, tive oportunidade de conhecer oficiais oriundos de sargentos, que haviam aprendido a ler e escrever, quando soldados, no quartel. Muitos desses oficiais eram absolutamente intransigentes no trato com os seus subordinados e, em especial, com os praças. Quase sempre intolerantes, castigavam a torto e a direito.
Tive para mim, numa análise simples e pouco rebuscada, que a forma de estes oficiais agirem resultava de se reverem nos soldados e, não gostando da imagem, descarregavam neles toda a sua frustração.
Certa ou errada, foi esta a minha interpretação de um comportamento que associo, agora, ao de Trump, filho de uma imigrante e neto de outros.
É sabido, só imigravam para os EUA, os quase desprotegidos da sorte, procurando na nova “Terra Prometida” a fortuna ou a largueza de bolsa impensável na Europa. Ora, sendo Trump um descendente muito recente de familiares carentes de dinheiro, naturalmente, desenvolveu, de forma inconsciente, sentimentos contraditórios em relação à imigração na América onde se fez milionário à custa de golpes de rins.
Comporta-se na política como se dirigisse a sua “máquina” de fazer dinheiro: arrogante, intransigente, impiedoso, faccioso, vaidoso. Só assim se justifica o braço-de-ferro que leva à paragem do orçamento mais longa da história dos EUA.
Este homem é um “carroceiro” da política, um destroço intelectual, uma aberração humana.
Para além de tudo isto ser possível nos EUA – onde, também, há gente decente e digna de admiração – Donald Trump beneficia da conjuntura do capitalismo global, onde a política passou a ser subordinada pela alta finança e, cinicamente, invoca razões de segurança para construir um muro na fronteira com o México, evitando a entrada ilegal de gente que, como a mãe e os avós paternos, procura a oportunidade de fugir da miséria, da fome e da má sorte.