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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

09.08.22

O Conselho de Segurança e os conflitos


Luís Alves de Fraga

 

Hoje, ontem ou amanhã, ter-se-á reunido o Conselho de Segurança da Nações Unidas, por causa de mais um massacre levado a cabo pelas tropas israelitas sobre a Faixa de Gaza. O número de mortos terá sido elevado tal como o de feridos. Quem diz isto é a jornalista Joana Pereira Bastos, do Expresso. Fala de 44 mortos e 300 feridos entre os jihadistas.

Não se trata de uma guerra que começou há seis meses, mas de um conflito com várias dezenas de anos. Os hospitais estão superlotados e corre-se o risco de faltar a electricidade de um momento para o outro de acordo com a vontade dos judeus.

Do Conselho de Segurança são membros permanentes os EUA, a Rússia, a China, a França e o Reino Unido e têm direito de veto sobre as decisões tomadas pelos outros 10 membros eleitos para mandato de dois anos.

Pois bem, o Conselho reúne-se por causa da sacrificada Faixa de Gaza e da luta com o Estado de Israel e toma decisões e dá conselhos e propõe soluções e faz tudo e mais mil e uma coisas para resolver um problema insanável: a criação de um Estado judaico onde há milénios viviam judeus e palestinianos em harmonia, mas não consegue resolver o conflito entre a Rússia e a Ucrânia (um Estado com existência moderna desde 1991). E, sobre este conflito, não chega a qualquer tipo de consenso por uma simples razão: os cinco grandes agrupam-se em três blocos opostos: os EUA, a França e o Reino Unido, de um lado, do outro, em antagonismo total, a Rússia e, por fim, até há pouco tempo, mantendo um diálogo de equilíbrio com os outros dois blocos, a China.

Não se pode comparar o conflito israelo-palestiniano com o russo-ucraniano, porque, segundo muitas e abalizadas opiniões, se tratam de assuntos diferentes. Mas, com toda a ousadia que a minha liberdade de pensamento e de expressão do mesmo me confere, eu afirmo que há uma comparação possível entre estes dois confrontos. Vamos vê-la.

 

‒ Na essência qual é a razão da invasão russa da Ucrânia?

Integrar na Rússia regiões russófonas, combatidas pelos ucranianos (claro que eu mesmo já teci variadíssimas motivações para os russos quererem impor-se à Ucrânia, mas, olhando com uma visão nua para o conflito, a Rússia quer criar uma zona de segurança para poder sentir-se confortável na defesa do seu território. Não se trata de acabar com a Ucrânia, nem de ocupar outros Estados; trata-se, tão-somente, de impedir uma militarização que ponha em risco a sua fronteira.

Explicada desta forma a guerra na Europa de Leste, vemos que as razões da Rússia são exactamente as mesmas que as invocadas por Israel em relação à sua vizinhança islâmica e, muito em especial à jihad islâmica. Contudo, Israel recebe favores e apoios dos EUA e a Rússia recebe condenações. É aqui que reside o busílis da questão: as mesmas causas não resultam nos mesmos efeitos, gerando uma atitude cínica, falsa e traiçoeira por parte de alguns dos Estados que representam as maiores potências do mundo (por enquanto).

 

A vida internacional está cheia destas contradições, porque o que realmente impera no trato entre Estados são os interesses pelos quais se batem.

‒ Como é que não há sanções para Israel e as há para a Rússia, se as motivações primeiras são as mesmas? Ou será que, afinal, a comparação está mal feita e o equivalente a Israel, no conflito na Europa de Leste, são os EUA? Claro que, para tudo ter uma lógica e coerência na política internacional, teremos de aceitar que a China tem todo o direito a reivindicar para si a ilha Formosa. Mas será que tem?

 

Claro, só desmontando estas contradições poderemos perceber quanto estamos enganados sobre os bons e os maus nas relações internacionais.