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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

11.04.22

Não sou comunista


Luís Alves de Fraga

 

Há muitos, mas mesmo muitos anos, estudei, na cadeira de Filosofia, no hoje, ensino secundário, no âmbito da lógica, os silogismos.

Se a memória não me falha, a “coisa” podia, de forma sintética, enunciar-se da seguinte maneira:

Se A tem os mesmos condicionalismos que B, podemos concluir que A é igual a B. Dito de outra maneira e sob a forma de exemplo sujeito a erro, pois não estudo o assunto há mais de seis décadas: todas as cadeiras têm quatro pernas; se uma mesa tem quatro pernas; uma cadeira é uma mesa.

Admitamos que, mais coisa menos coisa, dei um exemplo não clássico de um silogismo, modo arcaico de fazer deduções (no caso presente, mais do que falso).

 

Ora muito bem, com a eclosão da guerra russo-ucrânia procurei, como é meu hábito e já aqui tenho dito vezes sem conta, não me deixar enlear pelos tentáculos bastante traiçoeiros da informação social e estudar a fundo os antecedentes conhecidos deste conflito, pondo em equação e em pé de igualdade todos os dados recolhidos.

Se conheço pessoalmente ‒ por terem sido meus alunos na universidade ‒ alguns russos e ucranianos com os quais estabeleci boas relações sociais, não nutro nem pela Rússia, nem pela Ucrânia qualquer tipo de simpatia especial, nem nunca tive qualquer desejo de ir fazer turismo em algum dos dois países (antes deles, há muitos mais para conhecer na Europa ocidental).

Assim, após esta declaração de total desprendimento pelos Estados agora em luta, a única coisa que me move é perceber os fundamentos estratégicos que determinaram a passagem de uma fase de conflito latente para outra de conflito declarado. E move-me, porquê? Porque, como cidadão do mundo, não sou uma ilha isolada, nem me sinto tão egoísta que, qualquer que seja a catástrofe ‒ e a guerra é uma catástrofe ‒ fique indiferente às suas causas e aos seus efeitos. Deste modo, procurei as mais longínquas e as mais próximas e dei-lhes a arrumação que me pareceu lógica, dentro do labirinto determinante dos interesses e objectivos conhecidos dos Estados aparentemente directa ou indirectamente intervenientes na guerra.

 

Feito este trabalho ‒ estivesse colocado num alto escalão de estudo e planeamento das Forças Armadas, seria designado por estudo da situação ,e só assim não o considero porque, reformado há muito, não tenho nem o treino nem o nível de informação para de tal modo o classificar ‒ que me consumiu algum tempo nas duas primeiras semanas de guerra, já que até ao dia da eclosão das operações militares admiti que, no plano político, se iria encontrar solução idêntica àquela que se verificou aquando da já longínqua crise dos mísseis de Cuba, verifiquei que os meus resultados eram em muito semelhantes às razões e explicações dadas pelo PCP. Havia largas margens de coincidência.

Ora, porque não sou comunista ‒ embora na minha qualidade de cidadão livre e de esquerda já tenha votado no PCP, do mesmo modo que votei no PS ‒ não posso aceitar que o partido de Jerónimo de Sousa tenha copiado o meu raciocínio e, muito menos, eu o dele. Só com base na lógica silogística da igualdade de uma cadeira, porque tem quatro pernas, ser uma mesa é que se pode concluir que eu sou comunista porque há largas coincidências na minha análise e na do PCP.

E vou mais longe, nem o PCP pode ser acusado de russófilo nem eu de putinista com base no facto de convergirmos nas nossas conclusões quanto às causas primeiras da eclosão da guerra. Se não houver provas que desmintam, em absoluto, as razões que me levaram às conclusões agora obtidas, certamente nem Putin, nem o PCP, nem eu mudamos de opinião, mas, nem assim se poderá dizer que Putin é comunista nem eu.

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