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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

20.01.22

Na terra dos bons rapazes


Luís Alves de Fraga

 

Estamos com as eleições à vista e continuamos a ser os bons rapazes de sempre, o mesmo é dizer, os tais do desenrascanço, da ausência de planeamento, de falta de respostas para as coisas mais essenciais, os que acreditam nas soluções miraculosas (em especial se se ficarem a dever a Nossa Senhora de Fátima), os que desconfiam muito daqueles que julgam serem seus inimigos e não desconfiam nada daqueles que julgam serem seus amigos, enfim, os que andam cá para ver os pardais voarem e beberem uns copitos de um tinto ou branco (agora, cada vez mais substituídos por umas cervejolas). E quando digo rapazes, incluo, também elas, as piquenas que gostam de se emperiquitar sem grande consciência do mundo que lhes vai à volta.

 

Ninguém se lembrou, no parlamento, antes de o dissolver, de prever a forma de levar os isolados, por razões pandémicas, às mesas de voto sem espalhar mais a doença.

‒ Então isso não se pode resolver, do pé para a mão, uns dias antes do acto eleitoral?

Foi o que se fez! E como estamos em pleno Verão, com um anoitecer tardio, e uma brisa cálida, vá de marcar a melhor hora para esses saudáveis rapazes irem votar: das 18 às 19 horas! O São Martinho até vai ser convocado pelos Portugueses para nos dar um fim de tarde, começo da noite, bastante ameno!

 

Meus caros amigos, a ironia sempre foi uma das formas mais terríveis de abordar os problemas e, naturalmente, até aqui tenho estado a ser irónico, pois nós, Portugueses, somos exactamente iguais ao inicialmente enunciado. O improviso, a falta de planeamento, o descuido na tomada de decisões, a incapacidade de acompanhamento da execução dos trabalhos, a falta de rigor, a ausência de honestidade, a tendência para a mentira, são traços que, com outros, nos caracterizam.

Se eu precisasse de provas para demonstrar, na prática, o que acabei de afirmar, bastava olhar para a campanha eleitoral em curso, porque, todos os políticos, andam a engar-nos e nós deixamo-nos enganar, porque somos feitos da mesma massa. Aceitamos que não haja rigor na exacta medida em que esperamos beneficiar alguma coisa com a essa falta.

Esta é a nossa cultura. Uma cultura herdada do cruzamento de outras que por aqui passaram ou onde uma parte de nós passou. Temos os defeitos da cultura judaica, da cultura islâmica, da cultura católica, associando-lhes algumas virtudes de todas elas. Mas também temos, por importação, partes das culturas extraeuropeias, em especial provenientes de África e da Índia.

 

Um bocado cansado de ver e ouvir na televisão os candidatos dos diferentes partidos que concorrem às eleições legislativas e, ainda mais, os comentadores ‒ uns (raros), bastante informados e, outros, sem informação nem formação ‒ discretear sobre o que dizem os líderes, julgo que posso, reconheço e se me impõe como dever cívico, opinar sobre tudo e todos. Por isso, a minha grande crítica aos líderes partidários vai num só sentido: anunciando-se para breve um mar de euros para inundar Portugal e os restantes Estados da União, ninguém apresenta um plano, um projecto, um esboço, um traço de como se vai e onde se vai gastar esse rio imenso de euros. Ninguém arrisca mais do que falar em salários mínimos, em SNS e outras coisas menores e imediatas.

Eu queria que os políticos do meu país se comprometessem com planos, projectos ou simples esboços de um futuro onde o dinheiro vai abundar, dando-nos a perspectiva de como Portugal mudará. Um tal silêncio leva-me a pensar que todos estão com os olhos postos no pote e em como podem lá chegar, beneficiando-se ou beneficiando quem os pode beneficiar. Uma tal visão, mesmo que seja só uma mera ilusão, leva-me a desconfiar dos políticos do meu país.

 

Curiosamente toda a gente está à espera da tal bazuca que, não sendo a grande garrafa de cerveja moçambicana nem a arma tubular que dispara projécteis anticarro, se calhar, assume o sentido figurado de medidas de grande impacto (do dicionário da Porto Editora), que serão impactantes nas contas offshore de alguns portugueses e de pequeno sentido e importância para a maioria dos meus compatriotas.

 

É tempo de deixarmos de ser bons rapazes e de começarmos a exigir explicações, planos, projectos, deixando de lado as merdas que os políticos e os senhores jornalistas e seus patrões nos querem impingir a toda a hora e a todo o momento.

Eu quero saber qual vai ser o futuro dos meus filhos e dos meus netos. E não me venham com o histórico dilúvio a que chamam pandemia… Noé construiu a barca e salvou um casal de todas as espécies, porque não havia ou não quis um offshore só para si.

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