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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

19.10.18

Museu dos Descobrimentos ou Descobertas


Luís Alves de Fraga

 

Sobre a extraordinária acção marítima dos Portugueses há, agora, por aí quem deseje ver-nos a pedir desculpa do que fizemos no contacto com os outros povos.

Quem tal pretende, só pode estar a brincar com quem estudou a sério a História da Expansão Portuguesa! Só por brincadeira é que se pode aceitar tamanha ignorância!

Vou tentar debruçar-me, sinteticamente, sobre o assunto.

 

O grande mistério, que ainda hoje está por resolver, diz-se em poucas palavras:

⸺ Qual foi a motivação para a expansão?

Há várias teorias, desde a expansão da fé até ao desejo mercantil.

Julgo, têm-se de incluir todas e acrescentar uma outra muito mais subtil: a necessidade de conseguir o equilíbrio estratégico peninsular. Vejamos.

 

Na Península havia, em 1415, quatro unidades políticas: Castela, Granada, Portugal e Aragão.

Aragão estava “compensado”, em termos de poder na Península, porque se havia expandido para o Mediterrâneo; Castela era a “grande” potência terrestre peninsular com tendências hegemónicas sobre Granada e Portugal. O reino mouro poderia encontrar uma retaguarda no Norte de África… poderia. Mas, Portugal não tinha retaguarda nenhuma e, assim, estava em desequilíbrio perante uma imensa Castela. A única solução que lhe restava era proceder de modo semelhante ao de Aragão: ganhar peso específico fora da Península. Assim, nasce Ceuta, Tânger, Açores, Madeira, todas as conquistas no Norte de África na área atlântica e todos os descobrimentos na costa africana. Assim se justificam as bulas papais dando grandeza ao rei português.

⸺ Mas que grandeza? Territorial?

Não, a grandeza que D. Manuel I desvendou logo após a chegada à Índia: a comercial!

Essa estratégia de afirmação de poder está evidente na adopção do título que impôs a si próprio: «Rei de Portugal e dos Algarves […] senhor do COMÉRCIO e da na NAVEGAÇÃO […]». Era isso e só isso que lhe dava grandeza e poder! Era só isto que ele desejava para si e para o seu reino!

 

Os contactos com os povos de todo o mundo visaram simplesmente a liberdade de navegação marítima e a liberdade de comércio!

Se houve escravatura é porque ela existia já e era uma forma de fazer comércio aceite entre os povos. Portugal não escravizou; Portugal seguiu os ditames do comércio da época.

É anacronismo querer comparar os direitos do Homem medieval ou moderno (segundo as épocas tradicionais de dividir a História do Ocidente) com os direitos do Homem actual.

 

Que se faça o museu dos Descobrimentos Portugueses, porque ele terá de ser norteado pela verdade inequívoca, que acabamos de referir.

Eu tenho orgulho no passado histórico de Portugal e no de todos os Fernão Mendes Pinto que se espalharam pelo mundo fora e foram cativos e fizeram cativos.