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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

18.11.18

Mudanças culturais ou civilizacionais


Luís Alves de Fraga

 

A questão dos 6 e 13% de IVA a pagar pelos espectáculos culturais em recinto fechado ou aberto veio trazer, de novo, à baila o problema das touradas.

 

Não quero discutir touradas. Tenho amigos que as defendem e as atacam enquanto “espectáculo”. Ao vivo, vi três touradas: a primeira, com seis anos de idade, na praça de Angra do Heroísmo, a segunda, talvez com dezassete anos numa praça improvisada, em Rosal de la Frontera e a terceira, com trinta e quatro anos, na praça de Vila Real de Santo António, se a memória não me falha. Vi muitas touradas na televisão; já não vejo. Hoje tenho a minha opinião formada sobre esse tipo de espectáculo, mas não digo qual é.

 

Com o que não concordo, e digo, é com a “luta” que se está a travar entre os que defendem mudanças culturais ou civilizacionais e os que se lhes opõem. Não concordo, porque aceito a alteração de “tradições”, de “hábitos”, de “costumes”, vão estas no sentido de “melhorar” ou no de “piorar”, pois esta coisa de valorizar a transformação cultural ou civilizacional é extremamente relativa. Só o tempo, o muito tempo, é que dita a qualidade da mudança. Mas, mudança, essa houve sempre e já Luís de Camões, no final do século XVI, afirmava essa verdade.

 

Meus amigos, aceitemos a evolução, sem exageros. Aceitemos que o mundo está diferente de há cinquenta anos, de há cem anos e muito diferente do que era há duzentos anos. E, sem querer entrar em polémica com os defensores dos animais e dos seus direitos – às vezes, na minha opinião, um pouco exagerados – recordo que há exactamente cem anos, no nosso Exército, punia-se com severidade todo aquele que infligisse maus tratos desnecessários aos animais de tiro (bois, cavalos ou muares) e que, durante a 2.ª Guerra Mundial, nos Açores, foi punido, sem apelo nem agravo, um tenente engenheiro por ter mandado abater todos os pombos-correios do pombal da sua unidade.

Os amigos dos animais parece terem “descoberto a pólvora sem fumo” quando agora tanto reivindicam pelos seus direitos! Mas fazem bem, desde que tenham em atenção as “torturas” disfarçadas tais como reduzirem animais “selvagens” – por sempre terem vivido em liberdade – à condição de “animais domésticos e de estimação” (por exemplo, o porco-espinho). É que ser amigo dos animais passa por não lhes roubar a liberdade para satisfazer o egoísmo – sim, egoísmo – de quem “gosta” de ter presos em casa animais exóticos, que nasceram para viver no seu habitat e não em apartamentos ou gaiolas.

 

E esta pergunta deixo-a aos “amigos” dos animais:

⸺ Quantas vezes a domesticação de espécies livres não é tão criminosa como os maus tratos a espécies domésticas?