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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

04.09.15

Migrações


Luís Alves de Fraga

 

Não tomo posição sobre o flagelo que ocorre todos os dias nas zonas fronteiriças da Europa, porque ainda não me documentei o suficiente para aceitar ou condenar a corrida em massa ao Velho Continente por parte de povos que lhe são vizinhos. Mas, no encalço de um posicionamento pessoal sobre o assunto, ocorre-me a ideia do absurdo histórico que representa uma migração sobre a Europa.

Porquê? Explico.

 

Desde o século XV que a Europa é um território "exportador" de gente para todas as partes do mundo. Só recuando ao início do século VIII é que nos damos conta do último movimento migratório sobre a Europa, quando, através dos desentendimentos políticos e dinásticos na Península Ibérica, se verificou a invasão islâmica vinda do Norte de África, que foi travada em Poitier. E tratou-se de um movimento migratório solicitado como apoio militar! Depois disso, no final do século XV, com a tomada de Constantinopla, sentiu-se a ameaça de uma nova invasão (migração iniciada por uma guerra, tal como a do século VIII) dirigida pelos Turcos no exercício de uma conquista territorial.

 

Ora, foi com os Descobrimentos que se iniciaram movimentos migratórios, primeiro, caracterizados por conquistas ou actividades comerciais e, depois, por ocupação de terras em grande extensão. Foram sempre movimentos "contra natura" e provocadores de vários tipos de fenómenos culturais (aculturações, genocídios, miscigenações) que se repercutiram, sobre migrantes e residentes (neste último caso, de forma violenta). Mas, de tudo isto, ficou uma memória histórica e social: o vazamento da Europa no mundo foi uma consequência dos abismos económicos e financeiros nos diferentes povos europeus ou de perseguições religiosas, pois se o Velho Continente fosse suficientemente paradisíaco para quem por cá vivia, só o espírito de aventura justificaria raras e excepcionais tendências migratórias.

 

Posto isto, parece, é possível extrair singulares conclusões:

1. A Europa, desde o século XV, não foi uma zona geográfica de fixação de povos migrantes;

2. A Europa, desde o século XV, foi uma zona geográfica geradora de movimentos migrantes sobre todos os restantes continentes;

3. Na Europa, os movimentos migrantes rumo a outros continentes foram ditados por questões de diferenças de natureza económica ou religiosa, sendo que os migrantes procuraram sempre uma melhoria de condições sociais e económicas nos territórios de acolhimento;

4. O movimento migratório com origem na Europa deu sempre origem a confrontos culturais, normalmente muito dolorosos para os povos que acolhiam ou se tinham de vergar à vontade dos migrantes.

 

Colocada a questão da experiência migratória dos europeus enquanto migrantes, podemos partir para a análise da atitude a ter quando a Europa se torna ela na zona de acolhimento de povos migrantes.

Esta será a reflexão que terei de fazer para poder tomar posição sobre o assunto.

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