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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

03.01.19

Marcelo Rebelo de Sousa e a tomada de posse


Luís Alves de Fraga

 

Amigos meus, que considero de total e inatacável integridade intelectual, têm-se interrogado sobre a vantagem da ida do Presidente da República à tomada de posse de Bolsonaro. Não ponho em causa as suas razões nem as suas dúvidas. Simplesmente, pretendo recordar que as razões de Estado não se justificam com o estado da razão individual e. menos ainda, com rancores, raivas ou arrufos corriqueiros em situações de conflito social. Por esse motivo, a diplomacia é a arte de saber aceitar, lidar e resolver situações que facilmente, sem ela, iriam conduzir ao conflito.

 

O capitão para-quedista reformado Jair Bolsonaro é, por vontade dos Brasileiros, com ou sem fraudes eleitorais, com ou sem manipulações populistas, o Presidente da República do Brasil. Esta é uma realidade à qual se não pode dar volta, tal como não se dá com um tal Dolnad Trump, nos EUA.

Adoptar comportamentos censuráveis no plano das relações políticas internacionais obriga a uma análise prévia e cautelosa de riscos e vantagens, pois o que se põe em causa não é somente o sentimento de um Governo, mas, principalmente, a economia do Estado.

 

A relação diplomáticas de Portugal com o Brasil, feita uma análise sumária ao longo dos anos do século XX e começo da actual centúria, leva-nos a conclusões já esquecidas, mas muito peculiares: aquando da proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, estava em visita oficial a Lisboa o Presidente da República do Brasil, recebido, primeiro, pelo Rei e aclamado, depois pelo Governo Provisório; o Brasil foi o primeiro Estado a reconhecer a República Portuguesa; tal como, também, foi um dos primeiros Estados a reconhecer o regime democrático logo após o golpe militar de 25 de Abril de 1974. Durante a ditadura fascista portuguesa foram muitos os Presidentes eleitos que, no périplo pelos Estados europeus, visitaram Lisboa e conversaram com Salazar: recordo Café Filho, Juscelino Kubitschec de Oliveira, entre outros. E, contudo, o Brasil era o país de exílio de uma boa parte dos mais activos oposicionistas da ditadura.

 

Agora, não era altura de faltar à tomada de posse de Bolsonaro! Julgo, pois, bastante avisada a atitude do Presidente da República Portuguesa, que, certamente, terá ouvido a opinião do Governo e, em particular, a do Primeiro-Ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros.

 

Política não é, realmente, mentir ao eleitorado, fazer promessas ou discursos exaltados; é, também, conduzir relações externas com cautela e prudência.