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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Lições práticas de Economia

 

Há muitos anos aprendi Economia Política, como então se chamava, e, depois disso, também a ensinei — “estranhamente” a minha actividade lectiva começou quando tinha vinte e dois anos de idade e dava explicações de… Matemática! —, então, de uma forma mais “moderna”, seguindo princípios menos “teóricos”, usando eixos de coordenadas cartesianas e “gráficos”.

Cada vez mais — e não me canso de dizer isto — os economistas preferem falar de uma ciência “matematizada” do que de uma ciência social. Cada vez mais se impõem “modelos matemáticos” ou numéricos em oposição aos fenómenos económicos comandados pelos homens no seu viver quotidiano. É como se a mola real da Economia — a necessidade — fosse traduzível em algarismos, quando, afinal, é, e será sempre, fruto da vontade do Homem, mesmo que a necessidade resulte de uma “criação artificial”, de um “desejo inventado”, que tem por base a publicidade e o marketing.

 

O mais curioso, quando se pretende aplicar modelos matemáticos à Economia, é que estes acabam sempre por evidenciar a sua fragilidade perante a vontade social.

Na verdade, se se actuar calculadamente, matematicamente, sobre a produção, por exemplo, reduzindo-a para valores “ideais”, acontece que a retracção “comandada” pelas fórmulas numéricas excede o valor destas, porque os produtores se acautelam para além do próprio cálculo. É humano! E a inversa também é verdadeira! O receio de perder ou a ganância de ganhar mais determinam comportamentos que não são redutíveis a fórmulas precisas. Assim, a falibilidade das soluções económicas que têm por base o valor “asséptico” calculado em salas de estudo computorizado é total quando sai do campo teórico para o da realidade. Foi isso que aconteceu na Grécia, em Portugal, na Irlanda e antes, muito antes, na Argentina, por exemplo.

Na economia real nada se comporta como estava calculado no silêncio dos gabinetes, porque os agentes económicos não se prendem aos algoritmos, deixando guiar-se pela sua experiência prática e pelos seus instintos de sobrevivência ou de ganância. E esses, por mais “deltas” ou “lambdas” representativos das incógnitas varáveis numéricas em causa, nunca deixarão de ser o que, efectivamente, são: varáveis inidentificáveis quantitativamente!

 

Assim, a única lição de introdução à Economia, que se pode e deve dar, tem de ter como ponto de apoio para a alavancagem que se deseja uma ideia simples, que vai beber os seus princípios à mecânica dos fluidos: estes tomam a forma do vaso que os contém. Ou seja, se se “deformar” o fenómeno económico num ponto qualquer da sua macro estrutura haverá uma ou várias correspondentes deformações em qualquer outro lado da “superfície” do referido fenómeno. Quando se reduz a despesa do Estado na área do investimento reprodutivo vai haver despedimentos na área da produção e baixa de salários geral com imediata repercussão no consumo, o qual, por sua vez, vai gerar uma quebra da procura em toda a gama de produtos, que arrasta a um aumento de despedimentos, continuando a reflectir-se em ondas de menor intensidade sobre toda a superfície do “tecido” económico. Travar esta sucessão de efeitos constitui uma tarefa quase impossível, por causa dos “contágios” do âmbito da psicologia colectiva!

 

Então o que é que podem fazer os economistas “matemáticos”? Ampliar, até à exaustão, as “boas” notícias económicas, enaltecendo os “bons” resultados numéricos que defendem, escondendo por baixo do tapete todas as notícias que desmentem e põem a nu a “sua boa realidade”. Por outras palavras, falam de macro números económicos e mentem, escondem e omitem os macros efeitos sociais resultantes.

Depois, depois vêm os comentadores de serviço, os que olham os fenómenos económicos segundo prismas diferentes, exaltar as suas “verdades”: as da Economia das fórmulas matemáticas e as da Economia Política e Social. Todos falam verdade, só que, para cada um deles, a “sua” verdade é objectiva e objectivável por exclusão da verdade do outro! Ora, por força da “fluidez” dos fenómenos económicos, realmente, a verdade em Economia é sempre subjectiva, por isso, só passível de ser suficientemente abarcável se for olhada por todos os ângulos de análise.

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