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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

18.09.19

Leituras


Luís Alves de Fraga

 

Creio que já disse aqui, sou um leitor de vários livros ao mesmo tempo. Ou seja, tenho espalhados pela casa livros, que vou lendo em momentos diferentes, tendo a facilidade de não me perder nos enredos, sabendo o que está para trás em cada um deles.

Na juventude ‒ até quase aos trinta anos ‒ fui muito dado a devorar romances; depois, quando me dediquei ao estudo voluntário na universidade, descobri os ensaios e lei-os com a mesma avidez que tinha pela ficção. Romances, agora, só de quando em vez.

 

De momento, estou a chegar ao meio de um vasto e bem concebido livro de História onde se discute a questão da vida de Cristóvão Colombo (ou Colon, como prefere o autor), da sua nacionalidade e do descobrimento da Índia, navegando para Ocidente.

O autor, investigador, é um açoriano, da ilha do Pico, radicado nos EUA, doutorado pela Universidade dos Açores, e chama-se Manuel da Silva Rosa. Nasceu em 1961 e emigrou para Boston no ano de 1973. Fez da controversa figura de Cristóvão Colombo o centro da sua vida intelectual, empenhando-se na desmontagem dos mistérios tecidos à volta deste suposto genovês.

 

O livro (Portugal e o Segredo de Colombo) peca por, às vezes, parecer a colagem de vários artigos já publicados, porque se repetem, ditos de maneira diferente, os mesmos argumentos. Mas isto é só e somente um defeito de forma. Nestas coisas da História, o que interessa, de facto, é o conteúdo e o método da investigação; depois, o dizer, depende bastante da experiência e da arte de cada um.

Ora, acontece que Manuel da Silva Rosa fez uma extraordinária investigação ‒ extraordinária, porque exaustiva e cuidadosa ‒ e demonstra três teses: primeira, Colombo não era genovês, nem tecelão, nem ignorante nas coisas do mar; segunda, Colombo era originário de uma família nobre, com vasta e boa educação, aparentado, por via de casamento, com famílias da nobreza portuguesa e era um experiente navegador; terceira, foi um agente secreto de D. João II, que escondeu sua identidade para desviar a atenção dos Reis Católicos da verdadeira Índia, propondo-se chegar lá (à Índia), navegando para Oeste.

 

Como disse, vou a meio do livro, deleitando-me com cada página que leio ‒ por isso, leio lentamente para meditar cada novo argumento, cada nova intriga ‒ e, parece-me, o autor ainda não chegou ao momento mais interessante, que é o de colocar a hipótese de Colombo ser português. Genovês, não era, e disso já estou convencido!

 

Quem gostar do género, quem tiver paciência para atacar um grosso volume de História bem fundamentada, leia este livro, porque vai sair mais rico, mais sabedor e mais ciente de que o passado precisa de ser explicado, mais do que contado, e que, para se chegar à explicação, tem de se ter uma vasta erudição e abertura de espírito com uma amplitude de 360º.

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