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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Juízes e Militares

 

Foi notícia que o sindicato dos juízes reivindica, entre outras coisas, melhorias salariais para os seus sócios.

Se tem legitimidade este pedido? Claro que tem, num tempo de austeridade! Mas será justo? Claro que não! Não, porque, quando há Portugueses a passar fome, os responsáveis pelo exercício da J U S T I Ç A, pretendem praticar uma injustiça social. Mas só se pode fazer Justiça independente, é usual afirmar, se não se estiver dependente da tentação do suborno! Se o argumento é esse, deixem-me rir, pois subornáveis somos todos nós! Eu disse, todos nós! O que varia é o preço do suborno. E esse não depende de quanto se ganha, mas de por quanto se vende o potencial subornado! Há quem não se venda por dinheiro, mas tão só por honrarias!

 

Nos antípodas dos juízes estão os militares, pois, cada vez mais, vêem reduzida a sua capacidade de sobrevivência financeira diária e degradadas as condições necessárias para o exercício da sua missão, já que, enquanto os magistrados podem, com maior ou menor celeridade, ir cumprindo a finalidade da sua existência, os militares, de certeza, são absolutamente incapazes de reunir meios materiais e humanos para opor resistência credível a qualquer ameaça bélica exercida sobre o território nacional, mesmo se essa ameaça passar pelo tão famoso e actual terrorismo.

 

O ministro da Defesa pode proclamar aos quatro ventos que para todas as reformas tem obtido a concordância das chefias militares, mas o que não pode garantir é que estas, a darem tal concordância - e julgo que não dão! -, o façam de consciência tranquila. Não podem ter a consciência tranquila porque, se a têm, não são chefes militares! Podem é estar a reduzir ao máximo, através da existência de um mínimo de meios, a verdade da missão das Forças Armadas!

E fazem-no porquê? Porque, à boa maneira castrense, é primordial cumprir e só depois reclamar; é primordial resistir até ao limite do impossível; é primordial não dar mostras de desacato.

Estas são as razões pelas quais os dialogantes privilegiados do ministro são as chefias militares e não as Associações Profissional castrenses!

Ah, pois! É que os chefes militares só se sentem "libertos" das grilhetas castrenses quando vêem reduzida a sua condição à de reformados, sendo raros os que, no activo, são capazes de bater com a porta depois de ter dado dois murros na mesa do ministro e dito NÃO!

 

E os ministros sabem desta fragilidade dos chefes militares e desta força das associações castrenses, por isso optam pelo diálogo com aqueles em vez de terem de escutar estas. É porque estas usam de um discurso que, não sendo sindical, tem semelhanças com o dos sindicatos dos magistrados. Os chefes militares, infelizmente, vão crescendo na hierarquia, mas continuam a ter posturas próprias de oficiais subalternos, de capitães, de majores pouco impositivos, de tenentes-coronéis dóceis e disciplinados e coronéis à espera de serem seleccionados para o curso de oficial general.

 

Sou um oficial reformado crítico e por isso é que me permito escrever assim?! Não! Desde a mais tenra idade eu, ainda aluno dos Pupilos do Exército, cultivei uma postura de frontalidade! E só quando entraram outros valores, que não só os castrenses, na análise do meu comportamento, eu fui punido com três dias de prisão disciplinar, por ter cumprido até limites que não eram pensáveis por outros oficias que cuidavam da sua impoluta sobrevivência. Eu não cuidei, porque, para mim, era mais importante cumprir até ao fim, mesmo que para tal fosse julgado como culpado, sendo inocente como Jesus. E era só capitão graduado em major! Mas isto, são outras histórias!

 

O senhor ministro da Defesa é esperto - sim, só espero - e sabe tirar partido de quem tem na frente. Resta às associações profissionais castrenses, gozando da liberdade que institucionalmente têm, colmatar a liberdade disciplinar que as chefias militares não querem ou não mostram usar.

Se a justiça na sociedade é importante, a defesa e a segurança dessa mesma sociedade é-o mais ainda!

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