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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

22.04.19

Joker


Luís Alves de Fraga

 

Com relativa frequência vejo, no canal 1 da RTP, o programa “Joker”. É uma forma de me entreter e me desafiar. Todavia, consigo concluir alguma coisa, julgo que útil, ao cabo de várias sessões.

 

Sou um ignorante completo em matérias relacionadas com quase todos os desportos, com músicas, canções, cantores, com filmes, realizadores e actores. Fico espantado com as certezas de bastantes concorrentes nestes temas. Mas espanta-me muito a ignorância de um vasto leque de pessoas que nada sabem de História, Geografia, Ciências Naturais, Literatura, Política, ou “fait-divers” de âmbito social. Espanta-me mais porque as perguntas dão quatro alternativas de resposta.

 

Já sei que os meus leitores dados ao desporto, cinema e música estão a pensar que, também eu, sou um zero à esquerda, mesmo com quatro hipóteses de resposta quando a pergunta é sobre estes tópicos. E têm toda a razão! Só lhes oponho um argumento: nenhum desses conhecimentos se adquire pela frequência de aulas nas nossas escolas; podem aprender-se nos jornais, nas revistas, na rádio e na televisão. Mas, não sou fã dessas temáticas… que fazer?

 

Terei de admitir, outras pessoas não são fãs do que se aprende na escola! É verdade, contudo, a frequência escolar é obrigatória; a dos jornais, revistas e outros meios de comunicação desportivos, cinéfilos e musicais, não é!

 

Julgo, está evidente onde pretendo chegar: à comprovação de uma certa incultura no que respeita ao conhecimento tido como medianamente erudito. É isso que me deixa inquieto, pois não são necessários concursos televisivos para determinar um grande desinteresse por tudo aquilo que, até há uns anos atrás, era sabido por grupos sociais adultos, que haviam frequentado o, então, chamado liceu.

 

Claro, há quem contraponha à razão anterior a actual facilidade de acesso rápido a todo o conhecimento, usando a vastidão de dados armazenados na Internet. É verdade! Mas, para mim, é lastimoso que assim seja, porque nos coloca como uma extensão do “saber” arquivado na “máquina”, carecendo-se, somente, de conhecer como aceder aos dados!

⸺ O que se perde?

⸺ Perde-se toda a “ginástica” de raciocínio para articular conhecimentos, para tirar novas conclusões não testadas; esvai-se o desejo, aparentemente inútil, de especular, de discutir, equacionar hipóteses; quase morre o que é complexo para dar lugar ao conhecimento medíocre, banal. O Homem começa a perder a sua dimensão altaneira, que o impulsiona para o desconhecido, ficando preso ao que está armazenado algures, incapaz de pôr em causa esse “saber”, pois, cada vez mais, o pressinto vassalo, por cómodo, ao serviço das preguiças mentais: - saber para quê, se posso “perguntar” à máquina que me liga ao “armazém”?

 

Estamos no átrio da mediocridade – se calhar, mediocridade “clássica”, porque a “erudição” tenderá a ser a capacidade de busca do conhecimento! – à espera de um futuro no qual não vou participar e perante o qual me recuso a prestar homenagem.

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