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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

05.05.22

Ingerências na liberdade


Luís Alves de Fraga

 

Tem sido notícia um caso absolutamente estranho ‒ para mim, está bem de ver! ‒ que anda à volta da Câmara Municipal de Setúbal, do seu presidente e de um casal de russos, que encaminha refugiados ucranianos e que poderá ter colhido informações de carácter militar para as remeter a Moscovo. Enfim, um caso classificável, no máximo, de uma miserável cena de espionagem barata!

Ora, tudo isto, mais o barulho que à volta disto se tem feito, configura uma perfeita paranóia! Uma coisa de loucos varridos!

Poderão os leitores menos avisados estar a interrogar-se sobre a razão do meu espanto, mas vou explicar.

 

Segundo parece, foi a embaixadora ucraniana que espoletou a bomba, com base em quaisquer queixas de compatriotas seus. Daí para a frente os estilhaços saltaram para os órgãos de comunicação social, ansiosos por cair em cima do PCP, dada a sua esquisita tomada de posição sobre a guerra, pois o presidente da edilidade sadina é militante do partido Os Verdes, que, com os comunistas, forma a aliança CDU. Logo de seguida, há ucranianos, residentes em Portugal, a pedir a ilegalização do PCP!

É aqui que eu digo, isto brada a todos os céus!

 

Há coisa de poucos anos criticou-se fortemente ‒ e com razão ‒ a deputada Joacine que queria ver alterados os painéis pintados da Assembleia da República por alegada configuração de crime de racismo. Foi um alarido, politicamente, tremendo. A direita clamava contra a deputada e “mandava-a para a terra dela”, a esquerda defendia a pobre coitada ‒ claro que ele sofria de um qualquer complexo de perseguição dada a cor da sua pele ‒ e punha, ignorantemente, em causa a nossa História, exigindo uma lavagem que nos levasse a reconhecer a barbaridade de termos tido escravos e de termos comerciado negros africanos para trabalharem nos campos das Américas. A coisa acalmou, como acalmam sempre as fúrias dos esquizofrénicos: dão-se-lhes uns soporíferos e dormem o sono retemperador dos seus desequilíbrios.

Mas, agora a coisa tomou proporções bem diferentes, pois europeus de Leste querem saltar-nos para os costados ou porem-nos a canga ao pescoço, exigindo-nos a ilegalização de um partido com assento no parlamento e que há 48 anos tem vivido dentro das baias da mais exemplar democracia liberal!

 

Para que se perceba bem a gravidade deste desconchavo deixem-me que vos repita que são ucranianos quem tal exige, não são oligarcas russos, nem putinistas! Então são estes os democratas que o Ocidente está a ajudar contra a invasão russa? São estes que nos vêm dar lições de democracia e liberdade? É por estes que se faz uma imensa choradeira nas televisões nacionais? É uma liberdade deste calibre que eles e o Presidente deles querem implantar na sua terra?

Se as respostas são afirmativas, então, não tenho dúvidas de que o problema na Ucrânia é, como várias vezes já disse, um conflito interno russo como herança da falecida URSS, porque, a Ucrânia, como Estado soberano, não passa de uma invenção do PCUS, que teve lugar em 1991. Está-lhes no ADN, a ditadura!

 

E fico espantado que o Chega, tão pressuroso na defesa da nacionalidade e tão sensível às diferenças étnicas e culturais, não tenha saltado imediatamente nas bancadas do parlamento para exigir explicações sobre o papel da senhora embaixadora da Ucrânia em Portugal, porque a ocorrência na Câmara de Setúbal é um assunto bastante menor comparado com a atitude daquela figura diplomática, pois, por causa deste incidente, já o Governo recém empossado sofreu, inadmissivelmente, a sua primeira baixa política.

 

Olhando friamente para toda esta trapalhada sou capaz de a explicar numa curta frase: estamos a viver tempos de intransigência, de ressabiamentos recalcados, de dicotomias políticas e ideológicas, que alimentam o populismo e as ditaduras.

Cuidado! Pelos vistos a coisa é altamente contagiosa…