Imigrantes
Fomos um povo de emigrantes, ao longo da História. Mesmo quando partíamos para "colonizar", éramos já emigrantes. Mas fomo-lo mais, em especial, no século XIX, depois da independência do Brasil. Fomos para lá, para os EUA, para o Canadá, para a Venezuela, para a Argentina e, no século XX, em especial na segunda metade, fomos para a França, a Alemanha, o Luxemburgo, a Bélgica, a Suíça.
Em todos estes países fomos imigrantes e, às vezes, em condições mais do que humildes, quase miseráveis. Levávamos na bagagem a saudade da terra, da família, dos lugares, dos amigos e uma imensa vontade de voltar, que mais não fosse, para retornar ao trabalho duro com mais coragem e mais ânimo.
Fomos imigrantes em terras tão estranhas! Lá deixámos bocadinhos da nossa maneira de estar e de lá trouxemos outras formas de viver e sentir.
Porque fomos imigrantes, sabemos sentir os imigrantes e compreender o que é querer fugir à pobreza de terras que, em vez de mães, são madrastas. Madrastas de má índole. Por isso, compreendemos o sofrimento dos imigrantes em países que foram construídos por imigrantes e hoje se arrogam o direito de ter "tolerância zero" para com aqueles que, oferecendo-se para trabalhar, só querem ter a oportunidade de dar aos filhos um futuro melhor do que aquele que lhes foi dado a eles.