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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

14.03.19

História apologética


Luís Alves de Fraga

 

Todos nós – excepção feita a alguns – sabemos a História que nos convidam a estudar na escola, nos diferentes graus de ensino.

Quando eu andava na instrução primária (hoje 1.º ciclo), no tempo do fascismo, chegava a casa muito entusiasmado com os feitos dos Portugueses – eram fenomenais e, “de certeza”, mais importantes do que todos os outros povos – e, ao almoço, quando relatava ao meu Pai essas “glórias” a sua única observação resumia-se à frase: «E tu não desconfias?»

 

Só bastante mais tarde percebi a pergunta do meu progenitor!

Quase toda a História ensinada nas escolas de todo o mundo é História apologética, ou seja, uma “História” feita à medida, para “valorizar” os diferentes Estados ou unidades políticas. Essa “História” faz-se através de ocultações, distorções, falsificações. É sempre uma “História” heróica e, jamais, indigna.

 

Os povos de todo o mundo têm necessidade de incorrer nestas artimanhas de natureza política para gerarem coesão nacional e, ou, grupal. Trata-se de um História mítica.

Quando se analisa este fenómeno numa perspectiva sociológica ou política ele é perfeitamente desculpável, embora não se possa, nem deva, tomá-lo como verdadeiro; ele será verdadeiro na dimensão em que o for, realmente. Todavia, quando este fenómeno é analisado segundo a perspectiva histórica, todas as barreiras apologéticas devem ser derrubadas para deixar a claro a verdade dos factos, com as suas vertentes heróicas e as suas vertentes menos dignas. Essa será a História que conta e explica.

 

Por causa da viagem de circum-navegação começada por Fernão de Magalhães, vêm agora os académicos espanhóis reivindicar louros e honrarias para si, através de distorções da História.

Claro que se trata de um nacionalismo duplamente explicável!

 

Com efeito, a Espanha, por ser uma manta de retalhos culturais, políticos e linguísticos, carece de elementos “históricos” que “puxem” pela sua “identidade nacional”; mas, este “puxão”, vem deixar mais evidente um mal bem mais lamentável do que o anterior: põe a nu um franquismo bacoco, anacrónico e indigesto.

 

Cabe-nos lutar por repor a verdade histórica despida de nacionalismos e dar ao desprezo aquilo que, de inverdade, os académicos espanhóis querem que seja aceite como certo e indiscutível.

Os bacocos e falsos são eles – sem desconfiarem que a sua exaltação é própria de quem tem muito pouco de que se vangloriar – por isso, teremos de mostrar a nossa superioridade intelectual, pois, em verdade, quem deu mundos ao mundo, fomos nós.