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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Greves “inorgânicas”

 

A história das greves remonta, quase de certeza, aos tempos mais remotos da humanidade, quando alguém quis impor a alguém alguma coisa que não fosse da vontade desta última. Dir-se-á que se trata de teimosia e não greve, mas replico com a pergunta:

⸺ O que será a greve senão uma forma de teimosia?

Mas nem sempre o teimoso é um grevista, como está claro! Contudo, o teimoso e o grevista são sempre lutadores, que não chegam ao confronto físico. Então, a greve é uma forma de teimosia que implica luta. Luta para alcançar um objectivo, ainda que este seja o derrube da vontade que se combate.

 

A greve consagrou-se como forma de luta quando o trabalho assumiu contornos de exploração, de roubo, de imoralidade. E tudo isso aconteceu, de forma concertada, principalmente, na Europa e nas Américas, durante o século XIX, aquando da Revolução Industrial. A luta individual provou ser impraticável quando o poder dominante era imperativo; para o vencer ou quebrar, só a luta concertada poderia alcançar alguns resultados. Nasceram os sindicatos e a reacção dos empregadores através do chamado lockout (encerramento do local de trabalho) e dos “fura-greves” (utilização de trabalhadores contratados em exclusivo para continuar a laboração).

Com o rodar dos tempos, os sindicatos acabaram sendo “enquadrados” ideologicamente por partidos políticos, que assumiam como objectivo primário a defesa dos grupos sociais mais desfavorecidos. Nem sempre o sindicato era uma extensão do partido, nem o inverso, mas, quase sempre, houve sintonia entre certos partidos de massas e os sindicatos.

 

Na longa luta entre os detentores dos meios capazes de controlar a produção e os trabalhadores, os sindicatos e os partidos afinaram a sintonia que antes referi, para que se tornasse transversal a vitória – quando possível e se possível – sobre os empregadores, que, para simplificação expositiva, vou passar a designar por capitalistas (claro que o Estado não pode ser confundido com os detentores do capital). Assim, embora com autonomias variáveis, os sindicatos passaram a conduzir a luta de modo consonante com os partidos com os quais tinham maior identificação ideológica. As greves eram, “orgânicas”, porque reforçavam as posturas partidárias, não gerando “conflitos” entre os objectivos políticos dos partidos com quem se identificavam e reforçando a luta destes com a vantagem de obter melhorias laborais ou salariais para os trabalhadores.

 

Por conseguinte, fácil é compreender, há partidos com influências nas áreas sindicais – os chamados partidos de massas – e partidos sem qualquer tipo de influência sindical – são os partidos de elites. Os primeiros, na luta política, socorrem-se do mundo do trabalho para, em consonância com as aspirações laborais e dos grupos sociais mais dependentes do trabalho, se oporem aos segundos; estes, por seu turno, na impossibilidade de estabelecerem uma ligação biunívoca ao mundo do trabalho, procuram, ao nível das elites, definir o que é melhor para o que designam por bases de apoio extrapolando delas para toda a sociedade.

 

O comportamento dos partidos de elites tem, indubitavelmente, de se socorrer de mecanismos publicitários – em política, designados propagandísticos – para mobilizar os seus grupos de apoio e a sociedade em geral, estabelecendo a ligação entre os seus programas e os anseios da generalidade da população. Assim, compreende-se perfeitamente o facto de, para obter resultados na luta contra os partidos de massas, utilizarem a “intoxicação”, através dos órgãos de comunicação social, ampliando pequenos erros ou falhas dos oponentes até os transformarem em “perigosos acontecimentos políticos”.

Para se perceber perfeitamente este mecanismo de mudança opinativa na sociedade, há que ter em atenção o “efeito multiplicador” explicado na macro economia keinesyana, resultante de uma espécie de “contágio”, facto facilmente comprovável olhando para todos os órgãos de comunicação social, que entram em competição uns com os outros na ânsia de noticiar primeiro do que os restantes, sem cumprir o mais fundamental dos preceitos do jornalismo: a confirmação da veracidade da notícia.

 

Explicado tudo isto, é, agora, fácil perceber como é que se fazem greves “inorgânicas”, ou seja, greves não conduzidas dentro da relação biunívoca sindicato-partido. Basta que alguém impulsione uma greve numa área laboral “deslaçada” dos sindicatos com ligação partidária e, ao mesmo tempo, desenvolva a acção informativa necessária para o “fenómeno” se replicar até à exaustão, dando a sensação de que os partidos defensores dos interesses dos trabalhadores estão por trás de toda a reivindicação. Assim, o que parece uma atitude socialmente justa é, afinal, uma armadilha contra os partidos e os sindicatos, que defendem os interesses laborais, pois não podem/não devem “desligar-se” da reivindicação, porque iriam “desfazer” o princípio básico do seu compromisso com o eleitorado.

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