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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Governo da casa

 

Há dias, em conversa com alguém pouco dado ao conhecimento da ciência económica, tentei explicar as razões políticas das restrições que se vivem em Portugal, neste momento. Para tal socorri-me do exemplo simples e conhecido de todos nós do “governo da casa de família”.

 

Um agregado familiar com dívidas altas, com rendimentos baixos e várias fontes de despesa mensais ou anuais tem, quando bem gerido de garantir o pagamento de parte das dívidas e dos respectivos juros, depois deve dividir o restante pelos encargos essenciais à vida dos membros da família e pelo necessário para conseguir que haja, em cada mês ou cada ano, ingressos financeiros, ou seja, tem possuir dinheiro para alimentação, para saúde, para educação, para liquidar alugueres de bens e serviços indispensáveis, para transportes, para vestir e calçar, para pequenos gastos extras e uma reserva para ocorrer a despesas extraordinárias ou inesperadas.

 

O orçamento do Estado não difere muito deste que deixei esboçado, com uma diferença: para haver dinheiro para as despesas tem de haver receitas e estas são provenientes dos impostos; se os impostos recaírem mais sobre as empresas estas fazem recair sobre os preços dos produtos essa sobrecarga, havendo, por conseguinte, menos hipóteses de venda desses mesmos produtos; se os impostos recaírem mais fortemente sobre os rendimentos das famílias, estas terão menos possibilidades de compra dos produtos produzidos pelas empresas, mesmo que a mais baixo preço.

Assim, um orçamento, para além de ser uma previsão, é um instrumento disciplinador de todos os intervenientes económicos de um Estado: empresas e famílias.

 

Quando as famílias, dependentes de emprego do Estado, exigem, por recurso à greve, que ele aumente os seus rendimentos salariais estão, necessariamente, a desequilibrar o orçamento, porque para fazer face a uma maior despesa terão de cobrar, de qualquer maneira, mais impostos em qualquer das duas únicas fontes de onde pode receber rendimentos. Quando não estávamos na CEE ou União Europeia o “jogo” podia efectuar-se de maneira um pouco diferente, pois havia outras formas de aumentar as receitas: subir as taxas aduaneiras fosse para a importação ou para a exportação ou, ainda de um modo mais sofisticado, reduzindo ou aumentando o “custo” do nosso dinheiro, ou seja, inflacionando a moeda.

 

Julgo que dada a explicação de uma forma simples se pode compreender melhor a irresponsabilidade do presente surto de greves reivindicativas de maiores aumentos. Se os trabalhadores estivessem melhor informados e mais atentos ao orçamento do Estado, percebiam que nem para fazer funcionar a única forma de aumentar a riqueza nacional há dinheiro. Ou seja, o Estado não consegue fazer investimentos em infraestruturas básicas que, só pelo facto de serem levados a cabo, dariam trabalho a mais gente e, por conseguinte, mais possibilidades de maior crescimento económico.

 

Não há maneira de nos convencermos que estamos a viver um “aperto”, que não se vê, porque parece estarmos a “nadar em facilidades”. O termos saído da alçada da Troika não quer dizer que estejamos em pleno desenvolvimento. Todos os anúncios animadores que o Governo faz correspondem a qualquer coisa como eu dizer em linguagem vernácula e chã: “estávamos no cano do esgoto; passámos a estar na beira da sanita à espera de cairmos na merda”.

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