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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

20.02.21

“Expresso da meia-noite”


Luís Alves de Fraga

 

Não cheguei a tempo de ver todo o programa, mas vi mais de metade e deu para, sobre o que foi dito, comentar alguma coisa.

Não gostei da insistência anticomunista de Henrique Monteiro ‒ a quem reconheço uma inteligência superior ‒ porque, não a entendo, a não ser que ele tenha ficado lá atrás no tempo, em pleno PREC ‒ e, mesmo assim… ‒ pois tudo mudou depois da queda da URSS.

 

‒ O que é hoje um partido comunista, na Europa, num Estado integrante da União Europeia, onde a moeda corrente é o euro?

Será interessante procurar dar resposta à pergunta.

 

Ponhamos de lado os papões sul-americanos e orientais e as suas experiências mais ou menos marxistas. Esses comunistas estão inseridos numa realidade muito diferente daquela que defini acima. Tal como estão completamente desfasados os militantes ou simpatizantes do PCP que sonham com uma revolução marxista-leninista. Essa revolução só existe na cabeça de uns quantos ‒ e já raros ‒ teóricos, que gostam de imaginar, ainda, “os amanhãs que cantam”.

Um partido comunista na União Europeia é uma voz crítica, seguindo uma perspectiva marxista ‒ o mesmo é dizer profundamente dialéctica ‒, dos desvarios cada vez mais abundantes do capitalismo global. Essa voz distingue-se pelo tom, porque os partidos socialistas engavetaram o tom marxista para adoptarem aquilo que chamaram o tom social-democrata à sueca. Este socialismo ‒ que seria o ideal para gerar uma sociedade livre, equilibrada e justa na medida do possível ‒ só é viável em Estados onde, conjuntamente, se verifiquem duas condições: haver fortes investimentos nacionais (que não têm sede em Estados onde são mais favoráveis os impostos) e haver uma cultura de disciplina social muito rígida, de modo a que cada qual aceite os princípios ditados pelo poder político. É que esta social-democracia vive de uma forte cobrança de impostos a quem gera riqueza (o trabalhador gera riqueza através do seu trabalho e jamais através do seu salário) e que são as grandes empresas. Depois, essa social-democracia, distribui os impostos sob forma de benefícios sociais, tentando nivelar as diferenças de rendimentos.

 

Como se percebe facilmente, Portugal jamais terá possibilidades de implantar uma social-democracia à sueca. O único caminho passa por haver uma oposição que trave a natural tendência para os excessos de exploração por parte do médio e pequeno capital e que combata a corrupção que, num Estado como o nosso, tem grandes possibilidades de proliferar sob todas as formas imaginadas. Esse papel está reservado ao PCP, já que o PS será um partido de equilíbrios.

 

O PCP não vai fazer revoluções, nem vai tentar alcançar o poder. Nem o queria nos anos que se seguiram a 1974. Isso foi um fantasma alimentado por uns quantos militares sonhadores e, na altura, convertidos ao marxismo-leninismo. Jamais se repetirão as revoluções de Outubro!

Assim, não compreendo que figuras públicas inteligentes tomem posição semelhante à de Henrique Monteiro… A não ser que estejam a fazer favores que não confessam!