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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

05.02.17

Eutanásia


Luís Alves de Fraga

 

De há muitos anos a esta altura, depois de descobrir os imensos prazeres da Vida, anulei qualquer resquício de ideia de suicídio construída em jovem, face a situações insuportáveis. Não, não me mato! Não acredito em milagres, mas acredito na capacidade de regeneração e na vontade de viver. Eu quero viver, porque viver é dar oportunidade a que alguma coisa diferente aconteça na minha vida. O diferente não me assusta e ele que venha! Saberei esperá-lo para me haver com ele.

 

Mas a eutanásia é um direito que assiste a todo aquele ser humano para quem o sofrimento físico é insuportável - ainda que, pessoalmente, creia não se saber o que é insuportável - e lhe queira pôr termo. Mas a eutanásia vai bulir com os princípios de quem está em condições de a poder pôr em prática para auxiliar aquele que a deseja. Haverá num direito individual o direito de anular outro direito individual?

 

Matar um animal irracional que está em sofrimento, que lhe tira o porte e o estatuto com que nasceu, é um acto de altruísmo, pois abdica-se do prazer de usufruir da sua companhia para o libertar. Mas um animal de estimação - ou que o não seja - não é um ser humano. Ao libertar o animal do sofrimento quem o faz executa-o quase por caridade. Contudo, não se mata um ser humano por caridade sem que se fique com a lembrança dessa morte na consciência! Só um anormal se queda indiferente.

 

Assim, se a eutanásia é um suicídio ela é também um crime para quem ajuda ao suicídio.

 

Dificilmente me suicidarei. Não o farei. Mas dificilmente criarei um problema de consciência a alguém, pedindo que me mate, ainda que por caridade. Então, então que seja eu a arcar com a negação do meu princípio de amor à Vida, mesmo acreditando que o diferente é um desafio.

 

A decisão política tem de ser tomada em total liberdade de consciência por quem tem de a tomar e, depois de legalizada a eutanásia, a lei tem de respeitar o direito de não condenar quem a não queira praticar, auxiliando quem quer praticá-la.

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