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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

27.04.22

Esquecimentos dos órgãos de comunicação social


Luís Alves de Fraga

 

Todos ‒ se calhar, nem são assim todos… são só alguns ‒ sabemos que os órgãos de comunicação social, em vez de nos darem notícias com a imparcialidade que se espera de um juiz no tribunal, nos servem gato por lebre e, deste modo, condicionam-nos na tomada de posição sobre qualquer assunto. Entre nós, ai, entre nós, a televisão e alguns jornais e certas revistas, condenam um mero suspeito de qualquer coisa, faltando-lhes somente ditar a pena de prisão: eles contam, investigam e julgam a uma condenação irremediável: a da opinião pública. Mas, o pior de tudo, é que pensam estar a fazer jornalismo verdadeiro e sério.

Tenho, para mim, a sensação de que tais comportamentos resultam de uma imensa necessidade de protagonismo, tanto dos jornalistas como dos órgãos de comunicação social. Isto é uma consequência de não haver uma verdadeira escola de jornalistas, uma ética comportamental. Dizem que há deveres e obrigações, mas são letra morta no dia-a-dia.

 

E tudo isto vem a propósito de quê?

Pois, de um só esquecimento que não tem o devido destaque desde que as tropas russas ultrapassaram a fronteira com a Ucrânia!

Esquecem-se de dizer, de repetir com o mesmo ênfase com que mostram as destruições feitas pela artilharia russa, que a Ucrânia tem existência soberana em consequência de Moscovo, durante a vigência do regime soviético, ter feito daquele território russo um Estado independente; esquecem-se de dizer que uma parte da Ucrânia a Oeste chegou a ser território polaco; esquecem-se de dizer que no Leste e Sul da Ucrânia prevalece uma parte de população que é russófona; esquecem-se de dizer que a Ucrânia está a viver uma guerra civil, pelo menos desde 2008, data em que Ângela Merkel e Sarkozy se opuseram à admissão daquele Estado na NATO por não apresentar a estabilidade política desejável para fazer parte da aliança; esquecem-se de dizer que, desde 2014, Kiev mantêm uma guerra civil no Leste da Ucrânia contra os povos que pretendem separar-se da tutela ucraniana, porque culturalmente são diferentes, não se identificam com o processo histórico da Ucrânia.

 

São esquecimentos convenientes para agradar a Biden e a Bruxelas, que, agora, ‒ com raras excepções ‒ se vergam à vontade de Washington. E vergam-se, porque, durante largas dezenas de anos, a UE foi somente um projecto político-económico despreocupado com a sua defesa e com a sua política externa, já que acreditava no chapéu-de-chuva americano, contudo, foi necessário haver um Trump para acordar os tecnocratas da União e fazer-lhes ver que os EUA não estavam dispostos a pagar a segurança de UE que, em última análise, é um bloco económico concorrencial da América.

Os esquecimentos dos órgãos de comunicação social são, neste momento, óptimos para nos colocarem não só com uma imensa pena dos ucranianos, mas, acima de tudo, para nos prepararem para um possível enfrentamento com a Rússia, fazendo a guerra russo-americana através de interpostas pessoas. Essas interpostas pessoas, vamos ser nós. Aliás, já estamos a ser nós, porque a inflação, os custos mais altos do gás e do petróleo empobrecem-nos enquanto vão enriquecer os EUA ao mesmo tempo que a sua indústria de guerra prospera, fazendo prosperar quem nela trabalha e não corre o risco de ver o seu território sujeito a retaliações de grande calibre por parte de Moscovo.

Os esquecimentos dos órgãos de comunicação social, estando ao serviço do complexo industrial bélico americano, querem fazer-nos crer que Putin é o Hitler dos nossos dias, quando ele é, muitíssimo mais parecido com o Kaiser Guilherme II, de 1914, que, por se sentir encurralado pela França e pela Rússia, ambas apoiadas pela Grã-Bretanha, optou pela fuga para a frente, para aliviar o abraço que no resto da Europa lhe estavam a dar.

 

Todos precisamos de meditar, de averiguar, para não sermos enganados, pois, por trás de tudo isto estão interesses financeiros e económicos que só se querem servir de nós como o carvão serve para a caldeira.