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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

21.03.19

Espionagem


Luís Alves de Fraga

 

Alguma imprensa nacional faz, hoje, eco a um conselho dado pelo Governo em relação à utilização de telemóveis e computadores de fabrico chinês por parte de agentes da administração pública, com base em desconfianças de espionagem política e ou tecnológica.

 

Nada disto me causa qualquer estranheza, pois, há muitos anos, considero que existe uma rede informativa criada através dos emigrantes chineses na Europa e no mundo em geral.

As redes de informação são muito anteriores aos computadores e não foram eles que geraram a capacidade de acumulação de conhecimento; essas máquinas simplificaram e aumentaram as possibilidades de tratamento do saber, somente.

 

Já aqui referi o exemplo com mais de cem anos – iniciado por volta de 1870 – da espionagem alemã. Com efeito, sempre que um oficial do Exército ou da Marinha de Guerra pedia autorização para se ausentar para o estrangeiro ficava obrigado a, no regresso, fazer um relatório sobre o que havia visto com interesse para futuras operações militares.

 

O problema mais difícil no tratamento das informações é o da quantidade de analistas necessários para separar o que é importante daquilo que não tem, no momento, qualquer interesse. As informações militares ou tecnológicas funcionam como um puzzle de geometria variável: têm de estar adaptadas àquilo que faz falta naquele exacto instante.

Para se trabalhar na área das informações tem de se possuir uma visão de trezentos e sessenta graus, pois tudo é relevante e nada é relevante. Esta aparente contradição resolve-se sempre em função do objectivo que se define em dado momento.

Por exemplo, peguemos na acção da PIDE/DGS. Pouca gente sabia que aquela polícia, embora colhendo todo o tipo de informação, só dava real importância àquela que indiciasse ligações a grupos organizados de oposição ao regime vigente e, de entre estes, dava particular atenção ao PCP e, já nos anos sessenta do século passado, aos grupos de extrema-esquerda; para além disso, fazia “trabalho” na área de repressão da guerrilha em África e de perseguição à divulgação de pornografia. Ou seja, o indivíduo isolado, que dissesse mal do Governo, ficava com ficha nos arquivos, mas não era incomodado.

 

Na actualidade, com o auxílio dos computadores, é possível “trabalhar” a informação em instantes, reunindo-a segundo critérios diferentes, facto que aumenta, em muito, a potencialidade da espionagem.

Mas será que o simples facto de usar um telemóvel ou um computador chinês aumenta a possibilidade dos serviços de informação daquele Estado? Não brinquem comigo, por favor! Hoje qualquer telemóvel ou computador é vulnerável a qualquer serviço de espionagem de uma média potência, para não falar de uma grande potência! Meus amigos, para que servem os satélites espiões, que nos vigiam lá de cima?

Para o caso particular de Portugal, podemos não estar descansados, porque a China está cá em força… Controla, pelo menos, a empresa fornecedora de energia eléctrica, fora o resto!