Eleitos em sufrágio nacional
Se olharmos para os cargos que resultam de eleições nacionais ainda somos capazes de chegar a um milhar, se é que não mais.
Começamos no Presidente da República e acabamos no vogal da junta de freguesia, passando por deputados nacionais, regionais e municipais.
Esta gente não foi obrigada a ocupar os cargos que ocupa; candidataram-se e lá estão. Voluntários o mais que é possível!
E candidataram-se a quê?
Pois, candidataram-se a cargos onde vão governar o que é NOSSO, desde as NOSSAS finanças à NOSSA agricultura, passando pela NOSSA saúde, o NOSSO património artístico e literário, a NOSSA defesa pessoal e nacional, as NOSSAS pescas, a NOSSA economia, a NOSSA indústria, enfim, TUDO o que é NOSSO. Notem bem, NOSSO, mas não deles, pois TUDO é tanto deles como NOSSO.
Assim, em face disto, o Zé Povinho dá-lhes a primazia nas entradas em cerimónias, trata-os com deferências, dirige-se a eles por excelência, e considera-os o sumo, a nata de tudo o que há ou pode haver de melhor.
Eles usam os magníficos automóveis que NÓS pagamos e auferem os salários que bem entendem estipular para o seu trabalho e tratam-nos, a NÓS, que somos, afinal, os seus PATRÕES, como se NÓS FOSSEMOS OS SEUS EMPREGADOS.
Meus amigos, quando será que deixamos de ser lorpas e ganhamos um bocadinho de inteligência para dizer na focinheira de TODOS estes senhoritos que quem lhes paga aquilo que eles ganham para tratar do que é NOSSO, somos NÓS? Porque, na VERDADE, eles são NOSSOS EMPREGADOS. Foram eles que se candidataram ao emprego e somos NÓS que os admitimos. Depois de admitidos por NÓS, tratam-nos como gentalha.
Não está na altura de deixarmos de ser estúpidos? É que a NOSSA atitude para com ELES ainda tem implícita uma fortíssima carga de monarquismo, de dependência senhorial herdada das hierarquias sanguíneas em que a nobreza se estribava para esmagar os “malnascidos” daqueles que não eram filhos d’algo, mas, para eles, filhos da puta.
