Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

09.05.19

Eleições europeias


Luís Alves de Fraga

 

Não vou, de certeza absoluta, dizer-vos em que partido votarei nas próximas eleições para o parlamento europeu, mas, não me eximo a criticar este acto de “democracia”.

Vamos ser honestos? Vamos dizer a verdade?

 

Admito que mais de 80% dos portugueses interessados em política, tal como eu, nunca procuraram saber em pormenor – ou mesmo na generalidade – quais foram as matérias discutidas nos últimos cinco anos no parlamento europeu. O que por lá se faz é algo desligado da opinião pública nacional. Saber da nossa política, sem ser em consequência da manipulação levada a cabo pelos órgãos de informação, já é qualquer coisa distante da grande maioria dos cidadãos, quanto mais saber as directrizes aprovadas e discutidas no parlamento da União Europeia! Só este facto retira ao próximo acto eleitoral o seu significado democrático. Democracia é participar conscientemente na vida política. Isso não se passa, entre nós, relativamente ao parlamento europeu.

 

Julgo que não estou enganado, porque os números são explícitos: em 2014, para cerca de nove milhões e setecentos mil inscritos nos cadernos eleitorais, a abstenção foi de 66,15%, ou seja, mais de metade dos eleitores não votou. Em termos práticos, isto representa um “estar-se nas tintas” para a Europa e para o seu parlamento. Mas se recuarmos a 2009, não andamos muito longe dos valores de há cinco anos (63,23% do eleitorado absteve-se).

A grande maioria dos que votaram e vão votar nas próximas eleições, estou quase certo, não o fizeram nem o fazem com os olhos postos na Europa, mas na política doméstica portuguesa. Vão votar para apoiar ou “castigar” o actual Governo. Quereis a confirmação? Então vejamos quem ganhou as eleições em 2009 e em 2014: respectivamente, o PPD/PSD, com 31,71%, e o PS com 31,46% dos votos. São evidências que nos “furam os olhos”! O mesmo vai acontecer nas eleições que estão à porta.

 

Qual é a causa para que tal ocorra? A Europa e todos os seus problemas estão muito longe do eleitorado nacional; porque, nem candidatos, nem partidos, nem órgãos de comunicação social estão interessados em discutir a política europeia. E é pena que assim seja!

Realmente, segundo o que hoje Bernardo de Miguel publica, no jornal espanhol “El País”, as próximas eleições são «um autêntico plebiscito sobre o projecto de integração política do continente» para avaliar do resultado «das turbulências políticas (Brexit), sociais (“coletes amarelos” e deriva autoritária), económicas (uma década de crise que ampliou as desigualdades) e de liderança global desenvolvida por uma elite governante, que se perdeu aquando da viragem do século». Ele afirma que estamos, ao passar dos 62 anos sobre o projecto europeu, numa encruzilhada histórica. Corre-se o risco, ao fim de quarenta anos, de os populares e socialistas não conseguirem atingir 50% de lugares no parlamento.

 

Digo eu, a Europa, tal como alguns a desejaram, pode estar a esboroar-se. Mas isto não se discute em Portugal, porque a cegueira partidária, entre nós, supera tudo e todos e os órgãos de comunicação social fazem de qualquer pequeno acontecimento um “drama” (um guarda-redes com um enfarte, por exemplo, ou uma morte violenta algures) com dimensões capazes de se sobreporem a tudo aquilo que, verdadeiramente, é importante.

 

Que lástima!