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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

16.03.20

Elas e o sexo


Luís Alves de Fraga

 

Passar o tempo nestes dias em casa é algo que nos leva a fazer coisas que, normalmente, não faríamos. Por cá, resolvemos dar volta aos velhos CD de filmes e séries e estamos a rever ‒ para mim é uma novidade, porque não vi na altura ‒ uma longa série de episódios televisivos, que teve bastante êxito quando surgiu: O Sexo e a Cidade.

Vai fazer vinte e dois anos sobre o começo deste êxito americano. Foi em Junho de 1998.

 

Olhados, agora, à distância de duas dezenas de anos, dá para se perceber muita, muita, coisa, sobre o comportamento feminino num tempo em que se começavam a afirmar os direitos de auto-suficiência das mulheres e, mais do que isso, se desfaziam mitos, modelos e preconceitos enraizados desde décadas.

 

Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda, as protagonistas da série ‒ sendo que a primeira é a narradora, pois, por ela passa a história e a explicação e compreensão da mesma ‒, são jovens com mais de trinta anos de idade (Samantha já passou aos quarenta), com bons empregos e salários muito satisfatórios, habitam em apartamentos pequenos, embora confortáveis, em Manhattan, na zona mais in de Nova Iorque, frequentam restaurantes, cafés e festas onde toda a gente se encontra.

Cada uma tem a sua forma de viver a liberdade alcançada, mas, a todas é comum um dado: a liberdade sexual, tanto na concretização como no relacionamento; não estabelecem barreiras preconceituosas. Contudo, mais do que esses particularismos, o que ressalta ao longo dos episódios é, por um lado, a complexidade do pensamento feminino ‒ tão distante da linearidade do masculino ‒ e a contradição entre a liberdade conseguida e a aceitação do casamento como forma tradicional de ser mulher. Aliás, várias vezes é referido o facto de, com o comportamento descontraído de viver, estarem a parecer-se com os homens.

Esse medo de perder espaço, autonomia e ‒ porque não? ‒ superioridade face ao casamento e partilha a dois é o ponto fulcral de toda a problemática de uma série que busca um limite para a relação sexual descomprometida, livre, ocasional e a relação sexual duradoura e comprometida com um sentimento chamado amor.

 

A Cidade e o Sexo representa ‒ em termos cinematográficos ‒ um corte com a ideia romântica (gerada pelo romantismo do início do século XIX) da mulher anjo, da mulher intocável, da mulher que se adora, mas não se macula (não é por acaso que entre a sociedade masculina portuguesa perdurou a ideia de que, na relação sexual com a esposa, havia comportamentos interditos e reservados somente para a amante ou, em extremo, para as prostitutas).

Esta série vem deitar abaixo mitos sobre as mulheres, porque as põe a falar sobre si mesmas. Dá-nos um traço bastante fundo de um realismo sobre o mundo feminino que, entre os homens, é, muitas vezes, desconhecido ou adulterado ou incompreendido.

 

Depois, a par do pensamento fêmeo, surge uma outra abordagem, ainda pouco comum, que é a dos homossexuais com quem as protagonistas, em especial a Carrie, mantém relações cordiais e mesmos amistosas. É um campo que nos facilita perceber a razão da proximidade e, às vezes, da cumplicidade entre mulheres desinibidas e os chamados gay.

 

Julgo que tenho beneficiado bastante com este isolamento imposto para fugir a uma epidemia, pois permite-me fazer o que gosto: reflectir e especular sobre a sociedade humana sob o ângulo político, sociológico ou histórico.

Acho que todos nós ganhávamos muito se fossemos capazes de ver mais para além das ideias evidentes e, sem complexos, fizéssemos uso daquilo que a democracia tem de mais caro: a liberdade de expressão do pensamento. Todavia, é preciso ser capaz de pensar e, para isso, temos de deitar fora preconceitos (conceitos definidos antes da análise), ideias velhas e ficarmos abertos ao novo, ao diferente.

Não se diga que burro velho não aprende línguas!

Aprende, sempre que estiver disposto a tal!

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