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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

14.05.18

EDP


Luís Alves de Fraga

 

Para a maior parte dos cidadãos – o cidadão comum – está esquecida ou nunca foi sabida a história do “progresso” industrial nacional começado na segunda metade do século XIX.

Não me proponho dar lições sobre o assunto, mas somente recordar alguns factos, que reputo importantes para se compreenderem alguns dos erros da actualidade.

 

As estradas e caminhos-de-ferro foram mandados abrir pelo célebre ministro Fontes Pereira de Melo que, muito jovem, visitou a Europa e ficou seriamente impressionado com o que viu. Percebeu mal a “lição” e veio para Portugal fazer o que não devia ter feito.

As estradas e os comboios, que tanto o impressionaram, eram uma consequência da industrialização e não os impulsionadores dela. Isto ele não percebeu! Vai daí, começa a contrair empréstimos para abrir estradas e a facilitar a criação de companhias para exploração das linhas de caminho-de-ferro.

De onde vinham os capitais? Do estrangeiro. Por cá, quem tinha dinheiro, preferia investir na compra de propriedades agrícolas! Mão-de-obra barata e rendimento assegurado.

 

De quem eram as companhias que se criaram? De estrangeiros! Mas não foram só os caminhos-de-ferro; foi a companhia do gás, da electricidade, os telefones e tudo o mais que por aí ia de “progresso”. Para o Estado ficaram as dívidas e os correios, telégrafos e telefones nacionais (Lisboa e Porto eram de uma companhia anglo-portuguesa). Verdadeiramente, o “grande” capital só se virou para a indústria com a criação da Companhia União Fabril (CUF), a partir de Alfredo da Silva.

 

António de Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros desde 1932, traçou uma política económica “nacionalista”, pois não receou, antes pelo contrário, estimulou a participação do Estado nas grandes empresas com capitais estrangeiros, de modo a poder conduzir estrategicamente o desenvolvimento de Portugal. Todas as concessões de exploração estrangeira que foram acabando durante a sua governação passaram para a mão do Estado e, quando alguma – caso das linhas de caminhos-de-ferro – se propunha acabar por falta de rendimento, o Estado assumia-a. Numa palavra, Salazar “estatizou” sectores estratégicos da economia nacional.

Foi mau? Foi bom? Teve o condão de garantir que as “alavancas” da economia portuguesa estavam em mãos de portugueses e não dependentes de outras fontes de decisão.

 

E o que se fez depois de em Portugal se terem nacionalizado quase todos os sectores da grande economia, na sequência de 11 de Março de 1975? Privatizou-se, de novo tudo e, mais ainda, venderam-se ao estrangeiro as principais companhias decisórias da nossa economia e, até, da nossa vida.

A EDP, com outras, era a “jóia da coroa” e foi parar às mãos do Governo da China (um verdadeiro “negócio da China”)! E o actual Governo aplaude!

Vendam tudo e passaremos a eleger políticos simplesmente para gerir o trânsito, cobrar impostos, manter a ordem nas ruas e pouco mais, porque, por este andar, até reflexos na educação e na saúde podem ter as alienações do património nacional. Vejam lá se a França vende as empresas estratégicas ao estrangeiro?