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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.02.20

Dreyfus


Luís Alves de Fraga

 

Fui, há dias, ver o filme, que corre nas salas de cinema de Lisboa, sobre o célebre caso do capitão de artilharia francês Alfred Dreyfus.

A história é conhecida, tratando-se de uma situação de anti-semitismo, que abalou e dividiu a opinião pública francesa, levando a que o capitão, sem provas suficientes, fosse condenado, por um tribunal militar, a prisão perpétua numa ilha da Guiana Francesa, sofrendo, ainda mais, a pena, então existente, de exautoração pública.

 

Não vou tecer considerações sobre o filme, não só por falta de conhecimentos técnicos para tal como também porque aconselho, quem tem curiosidade, a ir vê-lo. Vale a pena, se nos fixarmos em exclusivo na história e nos acontecimentos.

Contudo, para quem foi militar ‒ oficial ‒ e viveu o tempo da revolução de Abril e, em especial, os dos anos que se lhe seguiram ‒ pelo menos, na Força Aérea, ramo das Forças Armadas que melhor conheço ‒ pode estabelecer paralelismos extraordinários sobre como decorreram alguns conselhos superiores de disciplina, algumas punições e passagens à reserva e à reforma compulsiva. São casos que ainda hoje suscitam, entre quem os viveu, polémica suficiente para discussões vivas.

 

Em todos os tempos as Forças Armadas foram tendencialmente conservadoras, não no sentido político do termo, mas no sentido de terem dificuldade em se adaptarem à mudança, ao novo, ao diferente. A cultura castrense tem relutância em mudar, em aceitar disrupções, em permitir “pensamentos fora da caixa” e, por isso, quando alguma coisa “corre mal” prefere manter-se indiferente à justificação ou à correcção de caminhos. Nessas circunstâncias, resguarda-se por trás de patriotismos não justificáveis e em ataques a honras que, realmente, só são molestadas se a verdade não for reposta.

Trata-se de uma postura universal, verdadeira seja qual for o regime político do Estado em causa.

 

Poderia ser mais explícito, mas não me interessa sê-lo. Basta que tenha visto um filme que, muito provavelmente, sem o realizador dar por isso, ou mesmo ignorantemente, mexe em algo que transcende o enredo e a história.

Coisas que só alguns militares percebem, às vezes com dificuldade.